O tabuleiro da sucessão estadual no Paraná ganhou um novo contorno na última sexta-feira (31). Rafael Greca (MDB), que desde abril despontava como pré-candidato do próprio partido ao Governo do Estado, abriu mão do posto e aceitou compor a chapa de Sandro Alex (PSD) como vice. A informação foi confirmada pela Gazeta do Povo, que registrou a coletiva em que os dois partidos oficializaram a aliança.

O gesto não é pequeno. Greca vinha sendo apresentado pelo presidente estadual do MDB, deputado federal Sergio Souza, como nome de peso para a disputa, com plano de governo próprio inclusive já entregue a Ratinho Junior. Na coletiva, porém, o ex-prefeito de Curitiba preferiu o papel de coadjuvante-forte: “Meu coração paranista só vai sossegar quando, junto com ônibus elétricos, nós possamos vir a ter ônibus movido a biogás do Paraná”, disse, ao entregar a Sandro Alex o roteiro de propostas que carregava para uma candidatura própria. Sandro Alex, por sua vez, tratou de valorizar o gesto: comparou o papel que Greca deve exercer ao de Darci Piana ao lado de Ratinho Junior, dizendo que o vice “não será um vice-governador, será um governador”.

A manobra tem efeito cascata sobre o Senado. Com o MDB dentro da coligação, abre-se caminho para que o partido de Greca emplace Alvaro Dias na disputa por uma vaga na Câmara Alta — nome que a própria legenda já havia indicado em abril como pré-candidato, ao lado do próprio Greca ao governo. A confirmação formal dessa costura estava marcada para acontecer na convenção estadual do MDB, realizada neste domingo (2), em Curitiba, que também referendou a candidatura de Alvaro ao Senado. A segunda vaga segue em aberto, disputada entre Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD), com o governador tratando o assunto como prioridade para os próximos dias.

Politicamente, a jogada reforça o bloco governista just no momento em que Sandro Alex começava a colar em Sergio Moro nas pesquisas — a mais recente, da Bem Paraná/IRG, mostrava o senador do PL ainda na frente, mas com Requião Filho (PT) à frente do candidato do situacionismo. Ao trazer Greca, com capital eleitoral consolidado em Curitiba e Região Metropolitana, e sinalizar espaço para Alvaro Dias, Ratinho Junior tenta transformar a corrida de dois favoritos isolados (Moro e Requião Filho) em uma disputa de três blocos organizados, com máquina, capilaridade e um vice que fala por si.

Para o Oeste do Paraná, onde a corrida ao Senado tem peso decisivo nas articulações municipais, a definição da segunda vaga — entre Curi e Graeml — é o próximo capítulo a observar. Mas o recado de domingo já está dado: o grupo do governador fechou fileira, e quem sonhava em ser cabeça de chapa aprendeu, na prática, que no Palácio Iguaçu prevalece a lógica da coligação.

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