O MDB marcou coletiva para a tarde desta sexta-feira (31) para oficializar Rafael Greca como vice na chapa de Sandro Alex ao governo do Paraná. Mas o sinal mais eloquente do dia paranaense veio de uma ausência: Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, não apareceu no grande evento do PSD em Foz do Iguaçu na noite de quinta-feira (30) e mandou cancelar a própria agenda em União da Vitória, marcada para esta sexta. A informação é do Blog Politicamente, que vem cobrindo de perto os bastidores da negociação.
O acordo nasceu de uma articulação pessoal: Ratinho Junior e o vice Darci Piana foram até a casa de Greca, em Curitiba, convidá-lo para a vice, e depois foi a vez do próprio Sandro Alex selar o aperto de mão. Só que o MDB, sentindo-se cortejado por dois lados — o Palácio Iguaçu de um, o entorno de Sergio Moro do outro —, elevou o preço. Não bastou a vice: o partido também embolsou a segunda vaga ao Senado, indicando Alvaro Dias, justamente o nome que disputava espaço com a pretensão eleitoral do próprio Curi.
É aí que mora o problema. O Republicanos de Curi já sinalizou ao Palácio Iguaçu que pode romper com a chapa de Sandro Alex, porque o compromisso original de embarcar na aliança era condicionado à candidatura do próprio presidente da Alep ao Senado. Com Alvaro Dias avalizado por Ratinho, a estratégia eleitoral de Curi fica em xeque — e o partido de Pedro Lupion decidiu, segundo o Blog Politicamente, deixar em ata da convenção de segunda-feira que a palavra final sobre apoiar ou não uma candidatura ao governo será da direção partidária, não de Curi isoladamente. Um convite aberto para outras legendas seguirem o mesmo caminho, se quiserem.
O imbróglio ainda respinga em Cristina Graeml, que entrou no PSD pelas mãos de Daniel Vilas Boas com a promessa de uma vaga na majoritária. Se Curi de fato deixar a corrida ao Senado, a segunda cadeira poderia sobrar para ela — mas o próprio Greca já verbalizou publicamente farpas contra a jornalista durante a eleição de 2024, o que torna qualquer convivência de palanque, no mínimo, desconfortável.
O que fica claro é que o mesmo movimento que deveria fechar a chapa governista com um verniz de unidade abriu uma fissura que pode custar caro. O slogan de campanha do governo, “Unidos e em Paz”, nasceu para vender coesão — mas às vésperas da coletiva que deveria selar a aliança com o MDB, é a possível debandada do Republicanos que dá o tom da política estadual nesta sexta-feira.
