Pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Cristina Graeml (PSD) confirmou nesta quarta-feira (5), em entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo, que vai continuar apoiando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República, mesmo com o PSD tendo Ronaldo Caiado como candidato ao Planalto. Segundo Graeml, o aval veio direto do governador Ratinho Junior: “Desde a minha primeira conversa com o governador, ele me disse que sabia que eu apoiava o Flávio e que eu estava livre para continuar apoiando, se assim desejasse”, afirmou. A informação é da Gazeta do Povo.

Mais do que reafirmar o apoio a Flávio, a entrevista escancarou os bastidores da própria trajetória de Graeml até chegar ao PSD. Ela contou que, enquanto estava no União Brasil — legenda que tinha Sergio Moro como presidente estadual —, foi “abandonada” pelo próprio senador dias antes do fim da janela partidária: “Ele levou a chapa de deputados federais e estaduais que eu tinha ajudado a montar”, disse. Foi só depois desse rompimento que Ratinho Junior a convidou para o PSD, oferecendo de início a vaga de vice na chapa de Sandro Alex — convite que ela diz que teria aceitado se houvesse consenso interno do partido, mas que acabou não se confirmando, sobrando o Senado como destino.

Questionada sobre o mal-estar recorrente com Rafael Greca — adversário direto na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024 e hoje vice na chapa de Sandro Alex —, Graeml minimizou o atrito e atribuiu as ausências recíprocas nos respectivos lançamentos de candidatura a simples conflito de agenda, insistindo que “a disputa de 2024 terminou em 2024”.

O momento mais afiado da entrevista, porém, foi reservado a Alexandre Curi, companheiro de chapa ao Senado. Depois de defender abertamente a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e dizer que sua prioridade será eleger um presidente do Senado disposto a pautar o impeachment de ministros do STF, Graeml cravou que Curi, ao contrário dela, sempre evitou embates nacionais por estar concentrado na Assembleia: “Agora ele vai ter que responder na campanha sobre a sua postura a temas nacionais, como quanto ao STF.” A frase expõe uma disputa que a coligação governista tenta empurrar para debaixo do tapete: por trás da foto de unidade em torno de Sandro Alex, o Senado paranaense pode virar palco de duas campanhas com pautas nacionais opostas dentro do mesmo palanque.

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