O tabuleiro da sucessão de Ratinho Junior ganhou uma peça a mais neste fim de semana, e ela veio de onde menos se esperava. Em convenção realizada neste domingo (2) na Sociedade Thalia, em Curitiba, o MDB oficializou o apoio à candidatura de Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná, com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca na vaga de vice-governador. A informação foi confirmada pelo Diário do Sudoeste e também pela Gazeta do Povo, que acompanharam o evento, com direito a Ratinho Junior, Darci Piana, Álvaro Dias e o prefeito Eduardo Pimentel na plateia.

O detalhe que dá sabor de bastidor à notícia é que Greca vinha repetindo, havia meses, que não aceitaria ser vice de ninguém. A guinada só aconteceu depois de reuniões reservadas com Ratinho Junior, no começo da semana passada, e com o próprio Sandro Alex, na quinta-feira, segundo apurou a Gazeta do Povo. Não é a primeira cambalhota do currais paranaense: no início do ano, Greca deixou o PSD justamente porque Ratinho sinalizava preferência por Guto Silva, então secretário das Cidades, como herdeiro político. Caminho parecido trilhou o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, também preterido nas conversas iniciais e hoje filiado ao Republicanos.

Nos bastidores, a leitura que circula é a de que as debandadas de Curi e Greca do PSD não foram acidente, e sim cálculo: ao migrarem para outras siglas, os dois abriram caminho para que a candidatura escolhida por Ratinho absorvesse mais partidos do que conseguiria mantendo todo mundo dentro de casa. Com a entrada formal do MDB, a coligação de Sandro Alex passa a reunir PSD, MDB, PP, União Brasil, PSDB, Cidadania e Republicanos — um bloco que, somado, comanda a maioria das prefeituras do Paraná. Se a leitura dos bastidores estiver correta, Ratinho não perdeu Greca e Curi para o adversário: ganhou dois operadores a mais fora da legenda, trabalhando para o mesmo projeto.

Fica em aberto, por ora, o desenho para o Senado. Curi tem, em tese, prioridade para uma das vagas, enquanto a segunda cadeira segue disputada entre Cristina Graeml, Guto Silva e o próprio Álvaro Dias, do MDB — que condicionou publicamente o sucesso de uma candidatura sua ao Senado justamente à aliança que agora se consumou. A costura, portanto, não está fechada, mas o núcleo duro está montado.

O movimento também precisa ser lido em contraste com o que aconteceu no dia anterior: no sábado (1º), o PL oficializou Sergio Moro como candidato ao governo do Paraná, com o empresário Edson Vasconcelos, da Fiep, na vice, e Filipe Barros e Deltan Dallagnol disputando o Senado. Enquanto Moro tenta consolidar a direita e Requião Filho (PDT) segue como aposta da esquerda, Ratinho joga a ficha em transformar ex-rivais internos em capital político para Sandro Alex. Resta saber se a costura de bastidores se traduz em votos — mas, em termos de arquitetura de poder, o governador fechou o fim de semana com a mão mais forte na mesa.

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