A convenção do Republicanos que oficializa Alexandre Curi candidato ao Senado, marcada para esta segunda-feira (3), é o capítulo mais tenso da articulação de Ratinho Junior para 2026. Depois que PSD e MDB fecharam a chapa majoritária com Rafael Greca na vice de Sandro Alex, o presidente da Assembleia Legislativa ficou de fora do arranjo que, até então, o tratava como um dos nomes naturais do grupo governista para a Câmara Alta — e a reação, nos bastidores, foi de desconforto.

Ao Paraná Portal, Curi tratou de encerrar qualquer dúvida sobre seus planos: “Na segunda-feira, 03, durante a convenção do Republicanos, serei homologado candidato à Câmara Alta e tudo estará resolvido. Chega de conversas”, declarou o deputado, herdeiro político do avô Anibal Curi e um dos nomes de maior musculatura eleitoral do interior do Paraná. A frase, direta, é também um recado: depois de dias de especulação sobre um possível recuo, Curi optou por bater o pé em vez de aceitar um papel secundário na costura eleitoral do governador.

A tensão tem origem na definição da segunda vaga ao Senado pela base de Ratinho Junior, ainda indefinida entre Cristina Graeml (PSD) e Álvaro Dias (MDB) — nomes que, segundo apuração da própria imprensa paranaense, esbarravam em resistências internas, inclusive de aliados como o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e o próprio Rafael Greca. Diante da indefinição e do risco de ficar em segundo plano, especulou-se que Curi poderia abandonar a disputa ao Senado e voltar a concorrer à reeleição para deputado estadual, o que lhe garantiria, inclusive, força para tentar de novo a presidência da Alep. Ele preferiu não recuar.

O episódio expõe o desafio de Ratinho Junior em manter coesa uma coligação que cresceu rápido demais em poucas semanas: uma chapa PSD-MDB ao governo, uma vice vinda de outro partido, e agora dois nomes ao Senado disputando espaço com um presidente de Assembleia que não abre mão do protagonismo conquistado em seis mandatos. Curi pode ter garantido sua candidatura nesta segunda, mas o preço da paciência do grupo governista com suas exigências ainda não está claro — e é bem possível que a “novela”, ao contrário do que ele prometeu, esteja longe do fim.

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