A novela que este blog vinha acompanhando de perto – o mal-estar do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, com os rumos da chapa governista – teve desfecho nesta segunda-feira (3). Em convenção estadual no Clube Urca, no Ahu, em Curitiba, com cerca de 3 mil pessoas e a presenca de 300 prefeitos da base aliada, o Republicanos confirmou Curi como candidato ao Senado e, no mesmo evento, selou formalmente a entrada do partido na coligacao que sustenta Sandro Alex (PSD) na corrida pelo Palacio Iguacu. A informacao e do RIC Mais, em reportagem assinada originalmente por Cecilia Sizanoski no Portal Banda B.
O desfecho so foi possivel depois que o ex-senador Alvaro Dias (MDB) anunciou, em carta, que desistia de disputar uma das vagas ao Senado. Curi vinha tratando isso como condicao inegociavel para seguir tranquilo dentro da coligacao: nenhum nome na chapa que disputasse voto com ele, e Alvaro Dias era apontado havia semanas como o principal risco nessa conta. No palco, o presidente da Alep preferiu suavizar o desgaste publico: “Eu tive o prazer de conversar com o senador Alvaro Dias nas ultimas semanas e nos colocamos, nesse momento, o Paraná em primeiro lugar, em busca dessa unidade e em busca da continuidade dessa paz politica”, disse.
Vale reparar no detalhe que mais diz sobre a posicao de Curi dentro do jogo: o jingle entoado pelos apoiadores durante a convencao resumia bem o lugar que lhe reservaram na chapa — “Alexandre Curi, o homem que o Ratinho escolheu”. Nao “o homem que escolheu concorrer”, nao “o homem do Oeste” ou de qualquer outra base propria: o homem escolhido por Ratinho Junior. Depois de dias de bico e ameaca de romper com a aliança, Curi entra oficialmente na disputa ao Senado carimbado como candidato do governador, e não como um nome que negociou de posição de força.
Com o Republicanos dentro – e já com as chapas de deputado estadual e federal do partido oficializadas na mesma convenção – a coligação de Sandro Alex fecha mais uma peça relevante do tabuleiro, reunindo PSD, MDB e agora Republicanos sob o mesmo guarda-chuva. Para o campo de Sergio Moro (PL), que segue isolado nas articulações estaduais, o efeito prático é o oposto: cada convenção que passa reduz o espaço de manobra e amplia a distância na máquina política que sustenta a candidatura do governo.
