Um decreto publicado no Diário Oficial do Estado oficializou a exoneração de Renê de Oliveira Garcia Júnior (Renê Garcia) do cargo de diretor-presidente do BRDE, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul. A saída não foi por desempenho, meta furada ou reestruturação administrativa. Foi política, e ninguém no Palácio Iguaçu finge o contrário.

Renê Garcia não era um nome qualquer no primeiro escalão de Ratinho Junior (PSD). Foi secretário da Fazenda de 2019 a 2024, cuidou do cofre do Estado por seis anos e migrou para a diretoria do banco de fomento em 2024. Não era estranho no ninho. Era da casa.

O que motivou a queda foi um encontro. Garcia se reuniu com Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, a Fiep, e pré-candidato a vice na chapa de Sergio Moro (PL) ao governo. Bastou.

Uma pessoa próxima ao agora ex-diretor conta que o encontro tinha pauta técnica, os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao empresariado paranaense, assunto que de fato tira o sono da indústria da região.

Pela versão dele, foi conversa de trabalho, mas o Palácio Iguaçu ouviu outra história e resolveu por decreto.

Nesta quarta-feira (29), Heraldo Neves já foi empossado como novo diretor-presidente do BRDE. Até então, respondia pela diretoria administrativa da instituição.

Recado que encontra eco em Marechal

E é aqui que a história, que parece distante, encosta em Marechal Cândido Rondon.

Porque a exoneração de Renê Garcia, da forma como se deu, é um recado duro a todo aliado que anda flertando com a trincheira do PL. Em Marechal, esse flerte tem nome, sobrenome e contracheque: Marcio Rauber (União Brasil).

Se um ex-secretário da Fazenda, homem de confiança por seis anos, perde o cargo por causa de uma reunião, o que dizer de quem sobe no palco, pega o microfone e declara guerra ao governo enquanto ainda embolsa um salário de R$ 18 mil pago por estrutura ligada ao próprio grupo que resolveu combater?

Renê Garcia recebeu a conta à vista. Um decreto, uma edição do Diário Oficial, e acabou. Rauber, por enquanto, segue no cargo e no discurso, apostando que o capital político o protege. Talvez proteja. Talvez a fatura, como costuma acontecer na política, venha parcelada e só comece a vencer lá na frente.

Mas o exemplo do BRDE mostra que, no grupo do governador, a paciência com quem senta à mesa do adversário anda curta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *