As duas primeiras enquetes majoritárias da parceria entre o Blog do Jadir, o jornal Preto no Branco e o Picolo Esporte e Notícia já têm resultado, e ele conta uma história que vale menos pelos números em si e mais pelo que revelam sobre quem se mexeu para votar. Nas consultas para governador e para senador, os nomes do campo lulista abriram uma vantagem que não encontra paralelo em nenhuma pesquisa registrada no Paraná.

Na enquete para governador, que reuniu 751 respostas, o deputado estadual Requião Filho (PDT), filho do ex-governador Roberto Requião e apoiado pelo PT, apareceu com 552 votos, o equivalente a 73,50%. Muito atrás vieram o senador Sergio Moro (PL), com 90 votos e 12%, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), com 62 votos e 8,30%, e o deputado federal Sandro Alex (PSD), com 38 votos e 5,10%. Indecisos e quem disse que não vai votar não chegaram a arranhar o placar.

Dois votos, dois nomes do PT

Na consulta para senador, o desenho se repetiu com força ainda maior. Como o Paraná elege duas vagas em 2026, a enquete perguntou o primeiro e o segundo voto do eleitor. No primeiro voto, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) cravou 447 votos, 80,40%, deixando o ex-deputado federal Doutor Rosinha (PT) em segundo, com 44 votos e 7,90%. No segundo voto, os dois apenas trocaram de lugar: Doutor Rosinha somou 380 votos, 67,60%, e Gleisi ficou com 105 votos, 18,70%.

Somadas as duas rodadas, a dupla do PT abocanhou perto de nove em cada dez intenções manifestadas. Nomes da direita que lideram as pesquisas de verdade, como Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), ficaram na casa dos 3% em cada consulta. Tomado ao pé da letra, o resultado colocaria a microrregião mais conservadora do Paraná votando como reduto petista.

O que o número mostra, e o que ele esconde

E é aí que mora a leitura mais honesta desses dados. O Oeste do Paraná, e Marechal Cândido Rondon em particular, é território historicamente de centro-direita, de forte presença do agro e de votação expressiva para nomes ligados ao bolsonarismo. Nas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral, Sergio Moro lidera a disputa pelo governo com folga, mas, na nossa enquete, o mesmo Moro não passou de 12%.

Quando uma consulta espontânea inverte de forma tão brusca o mapa eleitoral da região, não é o eleitorado que trocou de lado da noite para o dia. É que uma parte dele se organizou melhor.

Fica evidente que o campo do PT e os aliados de Requião Filho fizeram o dever de casa: mobilizaram grupo, repassaram o link, pediram voto e transformaram uma enquete de internet em ato de militância. Nada ilegal, nada surpreendente. Enquete é exatamente isso, um termômetro de quem está disposto a clicar.

Vale repetir o que dissemos na largada da série. Enquete não é pesquisa eleitoral. Não tem método científico, não tem amostragem, não tem margem de erro. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e a Resolução nº 23.600/2019 do TSE reservam o rótulo de pesquisa apenas para levantamentos registrados na Justiça Eleitoral, com metodologia e contratante identificados. O que fazemos aqui é uma consulta informal, e ela mede participação, não intenção real de voto.

Agora é a vez do presidente

Encerrada a rodada estadual, a série sobe ao topo da cédula. Já está no ar a enquete para presidente da República, e o formulário de votação está logo abaixo. A pergunta é a de sempre, direta: em quem você votaria hoje. Fica o convite de sempre, vote, compartilhe e cobre quem pensa diferente a fazer o mesmo. Se a esquerda mostrou que sabe mobilizar, está aberto o teste para os outros campos.

As enquetes podem ser publicadas até 15 de agosto, quando o calendário do TSE encerra a janela para esse tipo de consulta ligada ao pleito. Depois disso, só pesquisa registrada.

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