Na política, ninguém anuncia que está indo embora. As pessoas simplesmente começam a aparecer em outras fotos.
Foi o que aconteceu nesta quarta-feira (22). Uma imagem registrada em Toledo mostra o presidente da Câmara de Marechal Cândido Rondon, vereador Valdirzinho Sachser (União Brasil), ao lado do deputado federal Dilceu Sperafico (PP), pré-candidato à reeleição. Pela primeira vez, Valdirzinho lacrou apoio ao deputado mais tradicional da região ainda na ativa.
Mas o detalhe que interessa não está no centro da foto. Está ao lado. Na imagem também aparece Natan Sperafico, filho de Dilceu e pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas.
E é aí que a conversa muda de assunto. Porque a vaga de estadual, no coração de Valdirzinho, tinha dono até pouco tempo atrás. Chamava-se Gugu Bueno.
O vereador que chegou antes do ex-prefeito
Vale lembrar a cronologia, porque ela explica muita coisa.
Valdirzinho abraçou o projeto de Gugu Bueno em março de 2025, um ano antes de Marcio Rauber sequer cogitar publicamente caminhar com o deputado cascavelense. Foi o presidente da Câmara quem abriu a porteira, quem apresentou o nome à cidade, quem bancou a aposta quando ela ainda parecia arriscada.
Rauber chegou depois. Em maio deste ano, no encontro da Associação da Polícia Militar, o ex-prefeito assumiu a liderança do movimento, reorganizou a tropa em torno de Gugu e transformou o apoio em projeto de grupo, com endereço em 2026 e CEP em 2028. Naquela noite, Valdirzinho discursou, falou que se sentia órfão e que Marechal tinha sido deixada a pé. Estava em casa.
Aí veio o Sítio Pedde na semana passada. Rauber subiu no palanque de Sergio Moro (PL) e declarou guerra ao grupo do governador Ratinho Junior (PSD), de quem foi servidor até esses dias. E o vereador que tinha chegado primeiro descobriu que o trem havia mudado de trilho sem consultar os passageiros. Valdirzinho não apareceu no encontro com Moro.
Valdirzinho é aliado de Gugu, que é da base do governador. Rauber, o novo maestro do grupo, agora rege contra o governador e, indiretamente, contra o próprio deputado pra quem vai pedir votos. Ficar onde? A foto de Toledo é a resposta. Ou, pelo menos, o começo dela.
O padrinho também mudou de mesa
Se a debandada fosse só de vereador, Marcio ainda poderia tratar o caso como acomodação local. Mas não é.
O ex-deputado Elio Rusch, padrinho político de Rauber, o homem que em maio deu o carimbo histórico ao movimento em torno de Gugu, falando em planejamento para 2026, 2028 e 2030, está com Sandro Alex (PSD), o pré-candidato ao governo do grupo de Ratinho.
Ou seja: o avalista do projeto ficou de um lado, o afilhado foi para o outro.
Sozinho dentro do próprio partido
E nesta quarta-feira (22) a situação ficou ainda mais desconfortável para o ex-prefeito. A Federação União Progressista, que reúne o Progressistas e o União Brasil, o partido de Marcio Rauber, anunciou oficialmente apoio à pré-candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná.
Com isso, o palanque do candidato do governador passa a reunir três das maiores forças partidárias do Estado: PSD, Republicanos e a federação União Progressista. Juntas, elas abrigam mais de dois terços dos prefeitos paranaenses.
Traduzindo para o rondonense: Marcio Rauber apoia Sergio Moro contra a orientação nacional e estadual da própria federação a que seu partido pertence. Ele não está apenas fora do palanque majoritário da região. Está fora do palanque do próprio partido.
As obras que contam outra história
Há ainda uma ironia que o eleitor de Marechal conhece de perto, porque anda sobre ela todos os dias.
As principais obras que Marcio Rauber exibiu como prefeito nasceram de parcerias com o governo Ratinho Junior. E nasceram, justamente, na Secretaria de Infraestrutura e Logística. A pasta comandada por quem? Sandro Alex.
O prolongamento da Avenida Rio Grande do Sul, do mercado Copagril 2 até a entrada do Lira. O Contorno Viário Oeste, a maior intervenção viária da história recente do município. As dezenas de quadras de asfalto urbano espalhadas pelos bairros.
Cada uma dessas entregas rendeu palanque, fita inaugurada e foto para o então prefeito. Agora, o ex-prefeito pede votos contra o secretário que assinou os convênios e contra o governador que autorizou os repasses. O asfalto ficou. A coerência, aparentemente, foi recapeada.
A saia justa que sobra para Gugu
E onde fica Gugu Bueno nessa história toda?
Em posição cada vez mais delicada. O deputado é da base do governador, ocupa a primeira secretaria da Assembleia e mantém em seu gabinete, numa vaga da cota do PSD, o assessor Marcio Rauber, com salário bruto superior a R$ 18 mil pagos com dinheiro público. O mesmo Rauber que promete pedir votos para Sergio Moro a partir de 15 de agosto.
Até aqui, Gugu vinha administrando o constrangimento no silêncio. Mas a foto de Toledo muda o cálculo. Se Valdirzinho, que chegou antes de todo mundo, começa a posar ao lado de Natan Sperafico, o deputado cascavelense precisa se perguntar quanto do apoio construído em Marechal ainda está de pé. E, principalmente, quanto dele está sendo corroído justamente pela presença de Rauber no comando do grupo.
O que era ativo virou passivo. O ex-prefeito que entregaria Marechal a Gugu pode acabar entregando apenas a conta.
E a pulga atrás da orelha do governador
Ratinho Junior, questionado por este blogueiro no sábado passado, em Toledo, tratou o caso como parte do show. Elegante, como sempre. Mas no Palácio Iguaçu ninguém achou graça, e os desdobramentos desta semana só aumentam o incômodo.
Porque a pergunta que fica no ar não é sobre Rauber. É sobre Gugu. Até quando a base do governador vai conviver com um deputado da própria sigla sustentando, em cargo comissionado, um dos principais articuladores de Moro no Oeste? Cada dia que passa, o silêncio custa mais caro. Para Gugu, em Marechal. Para o PSD, no Paraná.
O saldo da aposta
Marcio Rauber apostou que seu capital político era grande o suficiente para atravessar a ponte sozinho, ou com o seu grupo local. As primeiras semanas sugerem outra coisa.
O vereador mais fiel apareceu em outra foto. O padrinho ficou do outro lado. O partido, via federação, escolheu o adversário. E as obras que sustentavam seu discurso levam a assinatura de quem ele agora combate.
Na política, o preço de um palanque nunca é pago na hora. Vem parcelado. E, pelo visto, as primeiras parcelas do palanque de Moro já começaram a vencer.

DEPOIS DIZ SE ESSE PAÍS TEM JEITO? O DINOSSAURO SPERAFICO AGORA QUER POR O FILHO PRA MAMAR NO DINHEIRO DO POVO? NÃO CHEGA NÃO? QUER FAZER IGUAL OS GOMES NO CEARÁ? QUE PAÍS DE M! ESSE PARANÁ TAMBÉM TA NUM POÇO SEM FUNDO