O Sítio Pedde, na localidade de Novo Três Passos, recebeu na noite desta quinta-feira (16) o senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao Governo do Paraná, a deputada federal Rosangela Moro e o deputado federal Filipe Barros (PL), presidente estadual da sigla e pré-candidato ao Senado. A casa estava cheia, com lideranças de Marechal Cândido Rondon e de pelo menos sete municípios da microrregião. Mas quem saiu do evento com o partido debaixo do braço não foi nenhum filiado. Foi o ex-prefeito Marcio Rauber (União Brasil).
A convite da assessoria de imprensa de Moro, este blogueiro esteve lá e a conclusão é uma só: o PL rondonense é do Marcio a hora que ele quiser. Falta apenas ele querer.
Os sinais não foram sutis. Foram ditos ao microfone, diante de vereadores, pré-candidatos e lideranças de toda a região.
O convite feito em público
Filipe Barros abriu o jogo logo na saudação. Cumprimentou “de modo muito especial” o ex-prefeito e fez questão de tornar pública uma conversa reservada. Contou que ligou para Marcio nas últimas semanas e repetiu, agora diante de todos, o que disse ao telefone: que gostaria muito de vê-lo filiado ao PL, elogiando o trabalho que fez à frente da Prefeitura.
Não foi um aceno protocolar. Foi o presidente estadual do partido oferecendo a legenda, em solo rondonense, na presença dos vereadores que hoje carregam a sigla no peito.
Moro foi além. Chamou Marcio de a maior liderança política da região e entregou o que em política se chama de cheque em branco. Disse que a decisão sobre o futuro cabe ao ex-prefeito, mas que qualquer caminho terá respaldo.
“Se resolver ser prefeito de novo, terá o nosso apoio. Se resolver seguir outros caminhos, terá igualmente o nosso apoio”, afirmou o senador, emendando que política se faz com lealdade e reciprocidade.
Traduzindo: a porta está aberta para o Paço Municipal em 2028 ou algum projeto mais audacioso no futuro. Marcio escolhe a fechadura.
O anfitrião político da noite
Marcio não foi apenas citado. Foi um dos oradores da noite, apresentado pelo cerimonial que ele mesmo escalou, Aírton Kraemer, que foi o seu diretor de imprensa nos 8 anos que administrou o município. Rauber foi tratado por Moro e Filipe como o articulador que reuniu tantas lideranças no evento.
Além das lideranças locais estavam vereadores, vice-prefeitos, ex-prefeitos e ex-vereadores da região. Destaco o ex-vice prefeito de Toledo, Ademar Dorfschmidt, o atual vice-prefeito de Mercedes, Alex Graunke, o ex-prefeito Zado, de Santa Helena, o ex-vereador de Cascavel, Juarez Berté, coordenador regional de Moro, o ex-prefeito de Quatro Pontes, João Laufer, bem como políticos do PL que disputaram as últimas eleições para prefeito, como Vitinho Pestana, de Assis Chateaubriand e Max Wickert, de Quatro Pontes.
No discurso, Marcio, que ocupava cargo no governo de Ratinho Júnior até há bem pouco tempo, assumiu compromisso de campanha com o principal adversário do grupo do governador. Disse que estará ao lado de Moro e Filipe a partir de 15 de agosto, quando começa oficialmente o período eleitoral, e convocou os presentes a pedir votos abertamente, porque em municípios pequenos o eleitor conhece todo mundo e espera ser procurado.
Detalhe que não escapou a ninguém: tudo isso aconteceu em um sítio da família Pedde, território ligado ao União Brasil do próprio Marcio, como este blog mostrou na véspera. A primeira visita do pré-candidato do PL ao governo aconteceu em casa emprestada por outro partido.
E o PL da casa?
Aos filiados de verdade coube o papel de coadjuvantes. O vereador Policial Fábio, do PL, que pleiteia a presidência local da sigla, foi designado pelo cerimonial para falar em nome de todos os vereadores presentes.
Fez um discurso alinhado, garantiu que a região é conservadora e estimou apoio superior a 70% a Moro no Oeste. Estavam lá também os outros dois vereadores do PL: Iloir Padeiro e Sargento Spohr. Estes dois, atualmente da base do prefeito Adriano Backes, visivelmente desconfortáveis no evento organizado por Rauber.

Outros vereadores locais presentes foram o Coronel Welyngton e Rafael Heinrich, ambos do União Brasil, além de Tania Aparecida Maion (Republicanos) e de João Eduardo dos Santos (Juca), do Podemos, estes dois últimos, pré-candidatos a deputado estadual. A cantora rondonese Juliana Valiatti (PL), também pré-candidata a deputada federal, igualmente marcou presença.
Ou seja, o partido esteve presente, aplaudiu, posou para fotos. Mas a condução política da noite passou ao largo dos filiados locais. Como já havia resumido o Sargento Spohr antes do evento, o jogo é bruto e há muitos interessados.

A história explica a noite
Quem acompanha este blog sabe que o roteiro não é novo. O PL rondonense já foi do grupo de Marcio Rauber, quando ele ainda era prefeito. Era o partido do vice Ila e dos vereadores Portinho, Rafael Heinrich e do então secretário de Mobilidade, hoje vereador Coronel Welyngton. Em novembro de 2023, numa ação costurada por Marcel Micheletto e Fernando Giacobo, a sigla trocou de mãos para abrigar a candidatura de Arion à Prefeitura. Arion perdeu para Adriano Backes (Progressistas) e, já em março de 2025, o próprio Giacobo ofereceu o partido de volta a Marcio.
De lá para cá, o terremoto mudou de escala. A filiação de Moro implodiu o PL paranaense. Giacobo renunciou à presidência estadual, deixou a sigla e levou consigo um punhado de prefeitos alinhados ao governador Ratinho Junior.
Filipe Barros assumiu o comando estadual e, no palco do Sítio Pedde, fez as contas da crise: dos cerca de 60 prefeitos, calcula que no máximo 20 saíram, enquanto a bancada estadual, segundo ele, saltou de 5 para 12 deputados e a federal, de 2 para 5. Tanto Filipe quanto Moro repetiram a mesma expressão para descrever o lado adversário: a política da faca no pescoço.
É nesse cenário que o PL local, sem dono claro desde a crise, vira ativo à disposição. E o destinatário da oferta foi anunciado ao microfone.
O que fica
Marcio Rauber saiu do Sítio Pedde sem assinar ficha nenhuma. Não precisava. O presidente estadual do partido o convidou em público, o pré-candidato ao governo o chamou de maior liderança da região e prometeu apoio para qualquer voo, inclusive um retorno à Prefeitura em 2028. Enquanto isso, os filiados locais assistiam da plateia.
Feitas as contas, muito provavelmente o PL será a sigla de Marcio na disputa pela Prefeitura em 2028. A estrutura está montada, o convite foi público e a legenda espera apenas a assinatura. E já imaginou se, além do partido, ele tiver o apoio do governador? Se Moro vencer em outubro, Marcio chegaria à campanha municipal com o padrinho mais poderoso do Estado, um governador que prometeu apoio ao microfone antes mesmo de qualquer filiação. Nenhum outro pré-candidato ao Paço rondonense teria arranjo parecido.
