A rodoviária de Marechal Cândido Rondon virou canteiro de obras, mas não se sabe do que. Quem passou pelo local nos últimos dias se deparou com o telhado da parte inferior da estrutura completamente desmontado, vigas e telhas jogadas no chão, e uma caçamba verde aguardando o destino dos entulhos.

A prefeitura foi consultada. O secretário de Mobilidade, Marcos Carlton Hennig, confirmou que a demolição foi deliberada. “Desmontando… reaproveitar o espaço.. estava ocioso”, disse, por mensagem. Perguntado sobre o que vai ser feito no local, a resposta foi estranha: “Ainda estamos discutindo possibilidades…”

Traduzindo do administrativês para o português: derrubaram primeiro e vão pensar depois. 

A Secretaria de Mobilidade confirmou que haverá também intervenções na estrutura superior, com reformas e pintura. Isso é bem-vindo. O que incomoda é o vácuo de informação sobre a parte demolida.

Das incertezas surgem as especulações

E é justamente nesse vácuo que entram as especulações. Uma delas é que a demolição aconteceu simplesmente para evitar que ali voltem a se abrigar indígenas que volta e meia chegam à cidade para vender seus artesanatos e que acabam usando a rodoviária para se abrigar a noite.

Há uma ironia que não passa despercebida a quem conhece a história da cidade. Marechal Cândido Rondon leva o nome do maior indigenista da história do Brasil, o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), militar que dedicou a vida a proteger os povos originários e que teve o posto máximo do Exército concedido pelo Congresso Nacional em 1955. A cidade que homenageia esse homem hoje não sabe explicar o que vai fazer com o espaço que historicamente serve de abrigo para esses mesmos povos.

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