O Blog do Jadir acompanhou com exclusividade, nesta terça-feira (8), a primeira rodada de oitivas do processo disciplinar que apura possível quebra de decoro da vereadora Tania Aparecida Maion (Republicanos), após a polêmica visita à Casa Lar no mês de abril. A denúncia foi protocolada pelo prefeito Adriano Backes (PP), dias depois do episódio, que ganhou visibilidade após discurso inflamado da vereadora na tribuna da Câmara.
Ao todo, oito testemunhas indicadas pelo próprio Conselho de Ética foram ouvidas, todas elas com vínculo direto com a Secretaria de Assistência Social ou com o cotidiano da Casa Lar. As oitivas foram conduzidas pelo presidente da Comissão de Ética, vereador Coronel Welyngton Alves da Rosa, tendo na relatoria o vereador Sargento Spohr e como membro o vereador Gordinho do Suco.
Plenário esvaziado e silêncio nas redes
Apesar do interesse público do caso, a sessão de oitivas transcorreu com público quase nulo: meia dúzia de pessoas acompanhava os trabalhos, quase todos assessores de vereadores, que se estenderam por praticamente o dia inteiro no plenário. Mais grave, porém, foi a ausência de transmissão ao vivo — a tradicional cobertura da TV Câmara no YouTube não foi feita, deixando de lado um tema sensível e com forte repercussão social.
Mesmo sendo uma audiência pública, a Mesa Diretora optou por não transmitir, dificultando o acesso da população e o trabalho da imprensa. Tanto é que este jornalista foi o único profissional de comunicação a acompanhar presencialmente toda a sessão.
O centro da tensão
O tom dos depoimentos foi de incômodo. Testemunhas descreveram a visita feita por Tania, sem agendamento, como abrupta e desconfortável. Adjetivos se repetiram ao longo do dia: “hostil”, “grossa”, “ríspida”, “constrangedora”, “desrespeitosa”, “rude”, “intimidadora”, “sem postura”, “deselegante”.
Relatos apontaram que a vereadora circulou por todos os cômodos da instituição, abriu armários e geladeiras, e agiu de forma incompatível com o ambiente de acolhimento infantil. Houve inclusive divergência nos depoimentos sobre o acesso aos espaços internos.
Fiscalização ou espetáculo?
Tania afirma que seu objetivo era verificar denúncias sobre a falta de alimentos na Casa Lar. No entanto, segundo os depoimentos, nenhum documento foi apresentado e o tema quase não foi mencionado em seu discurso na tribuna logo após a visita. A assessora que a acompanhava teria filmado o lado externo do local, o que também gerou críticas dos depoentes.
Testemunhas reforçaram que até promotores e juízes comunicam previamente suas visitas à Casa Lar — não por formalidade burocrática, mas para evitar contato direto com as crianças e preservar o ambiente de acolhimento. A secretária Andria Backes, também primeira-dama, foi clara ao dizer que os servidores apenas cumpriram a orientação de não permitir entrada sem aviso.
O que diz o regimento?
Foi mencionado repetidamente o artigo 9º do regimento da Casa Lar, que recomenda a comunicação prévia para visitas. A defesa da vereadora apontou que o documento não está disponível no Portal da Transparência e que o texto é vago quanto à obrigatoriedade de autorização formal. A questão ainda deve render bons debates jurídicos.
Aliás, algumas testemunhas, entre elas a própria procuradora geral do município, Luana Elisa da Silveira Brandt, admitiu que teve dificuldades de acessar o documento.
A linha da defesa
A defesa de Tania, representada pelos advogados Alexandre Gregório e Luciano Katarinhuk, demonstrou foco em fragilidades do processo — como a forma de convocação das testemunhas e a publicidade dos documentos. Um ponto repetido ao longo da oitiva foi: “Como você ficou sabendo da audiência?”. A maioria respondeu que foi avisada por WhatsApp, em convites feitos por integrantes da própria Secretaria de Assistência Social. Não deveria ser a Câmara a convocar individualmente cada testemunha arrolada?
Outro pedido da defesa foi pela oitiva do prefeito Adriano Backes. A comissão não descartou, mas indicou que avaliará a necessidade até quinta-feira, já que o prefeito não presenciou os fatos diretamente.
Contradições e ruídos
Alguns trechos dos depoimentos geraram dúvida ou sinalizaram motivações paralelas:
- Uma servidora mencionou homofobia nas falas da vereadora, enquanto outras não viram esse teor.
- Houve divergência sobre quem abriu as portas da geladeira e dos armários. Uma testemunha disse que ela mesmo abriu; outra foi categórica de que viu Tania abrindo.
- A própria primeira-dama deixou escapar que o real desconforto foi com o discurso na tribuna, não com a visita em si. Disse se sentir humilhada e afirmou que, caso a fala pública não tivesse ocorrido, “nada disso teria acontecido”.
Análise: mais vaidade ferida do que ameaça institucional
Apesar do alarde inicial do prefeito, dos pedidos de apuração imediata e da representação protocolada, o que se viu na primeira parte das oitivas não foi exatamente um cenário de crise institucional. Nenhuma testemunha relatou qualquer constrangimento às crianças da Casa Lar, tampouco ações que configurassem ameaça ou abuso de poder.
O que transparece — inclusive nos depoimentos mais duros — é que o que realmente incomodou foi o discurso da vereadora na tribuna, que atingiu em cheio a imagem da primeira-dama e da Secretaria de Assistência Social por ela conduzida. A representação veio só depois do discurso, o que reforça essa leitura. Se o objetivo fosse proteger a Casa Lar, o ofício teria sido feito no dia da visita — e não após a repercussão pública.
Sim, Tania erra no tom — mas isso não é novidade
Se Tania cometeu algum excesso, foi no trato com os servidores públicos. E isso foi unanimidade: todos os depoimentos apontaram desrespeito e deselegância. Mas sejamos justos — isso não é exatamente novidade. A vereadora tem um histórico conhecido por seu temperamento forte e confrontos verbais constantes.
Não é a primeira vez que sua postura rende desconforto dentro e fora da Câmara. Ela até já foi conduzida pela Polícia Militar por conta de um manifesto durante a pandemia, fez provocações durante os protestos no Portal da Cidade pelo resultado das eleições de 2022, sem contar o fiasco do 8 de janeiro, quando virou manchete nacional.
Ela foi eleita para fiscalizar, sim. Mas isso não lhe dá salvo-conduto para destratar funcionários públicos. Mesmo assim, é preciso separar erro de postura com crime de responsabilidade.
Próximos passos
A próxima audiência está marcada para quinta-feira (10), com oitiva das testemunhas da defesa pela manhã e depoimento pessoal da vereadora à tarde. Só depois disso o Conselho de Ética decidirá se encaminha para a abertura de uma comissão processante ou se arquiva o caso.
Relembre o caso
28 de abril: A vereadora Tania Maion usou a tribuna da Câmara para denunciar tratamento desrespeitoso ao fiscalizar a Casa Lar na semana anterior e declarou que seguirá “fora do molde da velha política”;
05 de maio: O prefeito Adriano Backes encaminhou ofício à Câmara pedindo apuração por possível quebra de decoro da vereadora Tania na visista à Casa Lar;
05 de maio: Na mesma sessão, Tania Maion reagiu com discurso inflamado, acusações de perseguição e críticas diretas ao Executivo e a colegas vereadores;
02 de junho: A defesa da vereadora Tania apresentou sua versão dos fatos, apontando vícios e pedindo a suspeição do presidente do Conselho de Ética;
27 de junho: O Conselho de Ética decide pela ratificação e recebimento da denúncia feita pelo prefeito;
30 de junho: O Conselho de Ética marca as oitivas das testemunhas para os dia 8 e 10 de julho.
08 de julho: Oito testemunhas são ouvidas sobre o caso da visita à Casa Lar.
VÃO PROCURAR O QUE FAZER….DEIXA A MULHER EM PAZ, ELA TEVE MIL E TANTOS VOTOS……ELA NÃO DEVE PRA NENHUM VEREADOR DE M QUE VIVE BABANDO OVO DE PREFEITO!
ALÔ JADIR ZIMMERMANN TOMA VERGONHA NA CARA E ASSUME QUE É PETRALHA………BABA OVO DE COMUNISTA!
Senhores vereadores e Prefeito tratem do município de Marechal com o devido respeito e com clareza dos fatos diários. Sejam eles na clareza dos gastos da prefeitura principalmente e que todos dentro dessa casa de Leis se resolvam assuntos que interessa para o povo e não para benefícios próprios. Dra.Tania tem que fiscalizar sim,Bem como todos os outros cidadãos eleitos também. Inclusive o Sr.Prefeito que foi apoiado pela Dra.Tania para que obtivesse seus devidos votos que lhe deram sua vitória na prefeitura.