Sai Janot, entra Dodge

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ainda é cedo dizer como será o comportamento da nova Procuradora Geral da República (PGR), Raquel Dodge, que assumiu nesta segunda-feira (18) a principal cadeira do Ministério Público Federal (MPF).

Certo é que ela pega uma batata assando, num momento de alta tensão, em que pela vez primeira um Presidente da República foi denunciado pela PGR, e pior, duas vezes.

Nos bastidores os comentários são de que a tendência é que Dodge tenha uma aproximação maior com o Presidente Temer, que aliás, foi quem a indicou para o cargo. No seu discurso, ela disse que o povo não tolera a corrupção e que o país passa por um momento de depuração.

Ela não mencionou a Lava-Jato no seu discurso de posse. Mas, vai trocar toda a equipe da Lava-Jato na PGR, contrariando o que havia dito anteriormente, quando afirmou que todos estavam convidados a ficar.

Tomara que a mudança fique tão somente à equipe.

Nojo da política

As experiências da vida desenvolvem em nós algumas emoções que afetam diretamente o nosso julgamento moral. Emoções como nojo, medo, raiva. E essas emoções acabam exercendo um efeito poderoso sobre o nosso comportamento.

A emoção do nojo, por exemplo, se desenvolve para nos proteger. Sim. Graças ao nojo que sentimos evitamos a ingestão de alimentos estragados, de substâncias tóxicas. O nojo também nos leva ao afastamento de odores desagradáveis.

Mais recentemente, os brasileiros têm experimentado uma nova correlação dessa emoção: o nojo da política. E cada dia que se passa, a cada nova escalada de manchetes, só aumenta mais a vontade das pessoas de bem se afastarem desse meio podre, fedido e venenoso.

E o que preocupa ainda mais é o tempo que se leva para recuperar gosto por algo que lhe enojou uma vez.

Reativando

Estava um bom tempo com o blog parado, por razões diversas. Mas, acho que é hora de voltar à ativa. Mesmo que atualmente exerço uma função muito mais de caráter administrativo e não atuo mais diretamente no fazer jornalístico no dia a dia, essa coisa de escrever é quase uma necessidade, uma cachaça. E da boa!

Fica o agradecimento àqueles que dedicam alguns minutinhos para ler minhas postagens.

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Humor na crise

A crise é séria, mas não podemos perder o bom humor… abaixo algumas das frases criativas que viraram memes nas redes sociais hoje, depois da divulgação da carta do vice-presidente Michel Temer revelando descontentamento com a presidente Dilma:
Mulher de Temer se revolta: “Ele nunca escreveu uma carta longa pra mim”
Exclusivo: veja a carta que Temer escreveu para Papai Noel
Torcida do Vasco apoia Michel Temer: “sabemos o que é ser vice e se sentir rebaixado”
Depois de carta a Dilma, vice-presidente passará a se chamar Mimimichel Temer
Enfeite sua árvore de natal com Vice Decorativo.
“Dilma, miga, pare! Temer”
“A Sra. comeu pastel, churrasco e nem me convidou”
“A Sra. nunca me chamou para conversar com o Chico Buarque”
“A Sra. vai a praia e nem sequer manda um zap convidando.

Imigrantes… ontem e hoje

ImigrantesÉ entristecedor ver nas redes sociais manifestações de pessoas contra o fato do governo brasileiro colocar cerca de 400 imigrantes da Síria no programa Bolsa Família. Manifestações de gente ligada a comunidades religiosas, a entidades filantrópicas, pessoas que se consideram de “bom coração” e que acabam colocando a política à frente do sofrimento semelhante ao qual passaram seus próprios antepassados.

Importante enfatizar que discriminar pessoas não é e nunca foi um direito de quem quer que seja. E isso não se aplica apenas às mulheres, aos negros, aos homossexuais… Isso se aplica também aos estrangeiros, principalmente aos refugiados de regimes de opressão. Alguém que discrimina pessoas por status social, religião, cor da pele, opção sexual, opção política ou qualquer outra manifestação, pra mim é intolerante e estúpido.

Voltemos aos imigrantes.

O que mais assusta no discurso daqueles que discriminam os imigrantes e se manifestam contra a concessão de benefícios a estes é a desconexão com o seu próprio passado recente, ou melhor, dos seus pais, avós, bisavós, tataravós ou talvez um pouco mais longe.

São portugueses, alemães, italianos, russos, japoneses, poloneses, libaneses, entre tantos outros que conseguiram abrigo nesta terra, escapando das guerras e da fome na Europa e na Ásia. E foram bem acolhidos pelo governo imperial ou republicado, que lhes garantiu o asilo e até terra e bens para reiniciar a vida no Brasil. Muito, mas muito além de uma simples Bolsa Família.

É uma desconexão muito grande para com as migrações de haitianos, africanos, asiáticos e agora especificamente dos sírios. Algo que impressiona não apenas pelo desconhecimento histórico, mas pela simples falta de reflexão, espírito humanitário e de coerência, principalmente para quem prega os preceitos cristãos.

Esse povo não sai do seu país simplesmente por que quer, para se aventurar no Brasil ou em qualquer outra terra. Assim como aconteceu com nossos antepassados recentes, eles fogem da guerra, da fome, buscam uma ponta de esperança para criar seus filhos num lugar mais tranquilo.

Os alemães, italianos, polonenses, japoneses que vieram para o Brasil, alguns há menos de 100 anos, fugiram dos seus países por razões bem semelhantes aos haitianos e sírios de agora. E eles também sofreram discriminação em função de suas culturas e formas de viver, que eram diferentes. Eu mesmo, descendente de quinta geração de imigrantes alemães, falei “erado” por muito tempo e ainda hoje sofro na língua e nos hábitos a influência da cultura trazida pelos meus antepassados, que vieram para o Brasil há quase 200 anos.

Mas, isso foi num período rudimentar, de pouca informação. Hoje, na era das redes sociais e da comunicação instantânea, as pessoas estão, ou deveriam estar, mais aculturadas e ter pouco mais de bom senso.

As migrações sempre fizeram parte da humanidade. Não há nada de novo nisso. Graças aos meios de transporte que temos hoje, isso acontece agora de forma muito mais dinâmica. Por isso não podemos nos surpreender com esse movimento migratório.

E, voltando novamente à questão da Bolsa Família, é bom lembrar que a legislação brasileira prevê a igualdade de direitos, incluindo os imigrantes. Isto está na Constituição e até nas políticas públicas em curso em muitos municípios, sem contar o que falam os Tratados Internacionais sobre a igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

A Semana Farroupilha

153024-g-94022Durante os anos que acompanhei o humorista Willmutt em suas apresentações, conheci inúmeras cidades do Rio Grande do Sul. É o estado, junto com Santa Catarina, que o personagem é mais conhecido e, por isso, os pedidos para shows nesta região eram diários.

Nestas andanças, geralmente por cidades do interior gaúcho, me chamou a atenção a diferença cultural deste povo para com outras partes do país. A preservação das raízes culturais é algo muito forte, mesmo com o advento das novas gerações, por vezes desapegadas às suas origens.

O gaúcho é diferente. Nas vestes, na linguagem, na culinária e nos costumes. Ele é um legítimo patriota. O sangue de Farrapos ainda corre nas veias, inclusive dos mais jovens.

Esse amor pela terra e os costumes fica ainda mais evidenciado justamente nesta semana, quando se comemora a Semana Farroupilha. É um período que se relembra a Revolução Farroupilha, o mais longo e um dos mais significativos movimentos de revoltas civis brasileiros.

Também conhecida como Guerra dos Farrapos, essa guerra regional da então província de São Pedro do Rio Grande do Sul contra o governo imperial do Brasil, originando a República Rio-Grandense. O conflito aconteceu por que os gaúchos estavam descontentes com o governo imperial brasileiro. Queriam pagar menos impostos e eram contrários a entrada do charque e couro (produtos que movimentavam a economia gaúcha na época) de outros países, com preços baratos.

O conflito estendeu-se de 20 de setembro de 1835 a 1 de março de 1845, quando os farroupilhas aceitaram acordo proposto por Duque de Caxias e foi assinada a paz: o Tratado de Poncho Verde. Foram quase 10 anos de guerra, que causaram mais de 47 mil mortes. A República Rio-Grandense foi reintegrada ao Império brasileiro.

O Rio Grande se rendeu, mas os farroupilhas conseguiram vários benefícios, entre eles, que as taxas alfandegárias sobre o charque fossem aumentadas, melhorando a economia local.

Na Semana de Farrapos, que tem o seu auge no 20 de setembro, os gaúchos lembram da garra e da luta dos seus ancestrais. Mas, muito além de lembrar do sangue derramado na guerra, o povo rio-grandense aproveita o momento para vivenciar com ainda maior ênfase a cultura e as tradições.

Parabéns a você que é gaúcho ou que, assim como eu, admira a tradição deste povo.