Sergio Moro (PL) parece guardar um álbum de fotos com quem já serviu aos seus planos e depois ficou pelo caminho. Jair Bolsonaro está numa página rasgada desde 2020. Cristina Graeml (PSD) entrou para a coleção neste ano. E hoje é a vez dos vereadores do PL de Marechal Cândido Rondon. E antes mesmo de terminar de rasgar também essa foto, a próxima página do álbum já está pronta para ser rasgada quando também deixar de servir aos seus interesses.

Sim, por incrível que pareça, os três vereadores do PL em Marechal Cândido Rondon romperam com a campanha do seu correligionário e antes ídolo Sergio Moro (PL) ao Governo do Paraná e migraram para o palanque de Sandro Alex (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Júnior. Policial Fábio, Iloir Padeiro e Sargento Spohr deixaram o grupo do senador. Alguns suplentes do partido estão seguindo pelo mesmo caminho.

A decisão não nasceu do nada. Este blog apurou que os vereadores se sentiram traídos e desprestigiados dentro do próprio partido que representam na Câmara de Marechal Cândido Rondon.

O aviso já estava nas entrelinhas

Quem acompanha este blog sabia que a relação andava mal. Em julho, quando Moro esteve na cidade pela primeira vez ainda na condição de pré-candidato, este articulista mostrou que o encontro no Sítio Pedde, em Novo Três Passos, foi organizado em torno do ex-prefeito Marcio Rauber (União Brasil), que nem sequer é filiado ao PL.

Na ocasião o vereador Sargento Spohr resumiu o clima com uma frase que hoje soa como profecia: “O jogo é bruto, muitos interessados, sou um peixe pequeno.”

No mesmo dia o deputado federal Filipe Barros (PL), presidente estadual da sigla, convidou Rauber ao microfone e Moro prometeu apoio ao ex-prefeito até para a Prefeitura de Marechal em 2028. Os vereadores do PL, os filiados de verdade, assistiram atônicos.

Sem conversa, sem prestígio

O PL é a segunda maior bancada da Câmara de Marechal, ao lado do PP. São três vereadores dentro de um total de treze. Mesmo assim, Moro monta agenda na região pela mão de quem não tem ficha partidária nenhuma e sequer conversa diretamente com quem carrega a legenda no peito.

Rompe-se com quem se sente ignorado. A migração para Sandro Alex é, antes de tudo, resposta a um desprezo repetido em público.

A explicação está na biografia

Guardadas as devidas proporções, o roteiro rondonense repete um comportamento que Sergio Moro já tem no currículo. Em 2019, aceitou o convite de Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Justiça. Ficou pouco mais de um ano no cargo e saiu na sexta-feira 24 de abril de 2020, em plena crise da pandemia, acusando o presidente de tentar interferir na cúpula da Polícia Federal.

Na saída, revelou ao Jornal Nacional, da Globo, uma conversa privada trocada por WhatsApp com Bolsonaro, usada como prova da acusação.

O caso de Bolsonaro não é o único precedente. Em março deste ano, na terça-feira (24), Moro se filiou ao PL ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) e anunciou que os nomes de sua preferência para o Senado seriam Filipe Barros e Deltan Dallagnol (Novo), deixando de fora a jornalista Cristina Graeml (PSD), que estava no União Brasil ao lado dele e tratava a vaga como destino natural na aliança de direita no Paraná.

Sem espaço no novo arranjo, Graeml buscou abrigo no PSD de Ratinho Junior e, em entrevista à Jovem Pan Paraná, confirmou que se sentiu abandonada pelo senador, chegando a dizer que teme ‘alguém governando o estado que talvez não seja cumpridor de palavra’.

Não interessa aqui julgar quem tinha razão nessas crises. O que interessa é o padrão. Quando a aliança deixa de servir aos seus planos, Moro sai, e sai batendo a porta. Em Marechal Cândido Rondon, o roteiro voltou a se repetir em escala menor. Preferiu cortejar quem está fora do partido a valorizar quem estava dentro dele desde o começo.

Prometer apoio irrestrito a quem nunca defendeu as cores do partido, enquanto ignora os próprios filiados, não é muito diferente do ministro que aceitou o cargo, usou o espaço enquanto convinha e saiu batendo a porta quando o vento mudou.

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