Uma reunião política realizada na tarde deste sábado (12), no centro de Marechal Cândido Rondon, mostrou que o MDB tenta juntar os cacos e recuperar parte do espaço que já ocupou na política local.
O encontro foi organizado pelo ex-prefeito Moacir Froehlich e pela ex-primeira-dama Maria Cleonice Froehlich, em um comitê instalado em frente ao local onde funcionava o Clube Concórdia.
A reunião, com presença de poucas pessoas, teve como foco as candidaturas do deputado federal Sérgio Souza, que busca a reeleição, e do ex-prefeito de Toledo Beto Lunitti, candidato a deputado estadual.
Mais do que um ato de campanha, porém, o encontro trouxe à tona uma questão maior: a tentativa de reconstrução do MDB rondonense.
Do protagonismo ao vazio
O partido já teve um peso muito diferente na política de Marechal Cândido Rondon.
Ao longo de sua história, o MDB elegeu quatro prefeitos no município, teve vice-prefeitos, vereadores e ocupou posição de destaque nas principais disputas eleitorais locais.
Esse protagonismo foi desaparecendo com o passar dos anos.
Na eleição municipal mais recente, o partido chegou ao ponto de não conseguir eleger sequer um representante para a Câmara de Vereadores.
De uma sigla acostumada a disputar espaços importantes no poder municipal, o MDB passou a conviver com uma presença bastante reduzida no cenário político rondonense.
“Adormecido e em queda livre”
Presidente estadual do MDB, Sérgio Souza não esconde que o problema de Marechal Rondon faz parte de um processo muito maior vivido pela legenda no Paraná.
Durante entrevista ao blog, ele afirmou que o partido passou um longo período “adormecido e até mesmo em queda livre”.
Segundo Souza, o MDB, que já teve forte presença nas prefeituras, no Governo do Estado, no Senado, na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, encolheu significativamente.
Atualmente, segundo ele, o partido trabalha para inverter esse processo.
A meta apresentada pelo presidente estadual é eleger entre quatro e seis deputados estaduais e entre dois e três deputados federais, além de participar da chapa majoritária estadual.
E Marechal Rondon está dentro desse movimento.
Reorganização local
Questionado especificamente sobre a situação do partido no município, Sérgio Souza confirmou que há conversas para reorganizar o MDB rondonense.
Ele citou nominalmente Moacir Froehlich, Maria Cleonice e Amélia Grams, além de outras lideranças locais que participam das articulações.
“Vai ser natural a reorganização do MDB em Marechal Cândido Rondon”, afirmou.
Na avaliação de Souza, um eventual fortalecimento estadual da sigla poderá estimular novas filiações, alianças e a formação de chapas competitivas também nos municípios.
O presidente do partido falou inclusive na possibilidade futura de formar chapa de vereadores e buscar espaço em uma chapa majoritária.
Ou seja: a movimentação em torno das eleições deste ano não parece estar restrita apenas à busca de votos para deputado.
Há também um olho voltado para o que vem depois.
Lunitti e a representação do Oeste
Beto Lunitti, por sua vez, tenta colocar sua candidatura dentro de uma discussão regional.
O ex-prefeito de Toledo afirmou que sua campanha já percorre dezenas de municípios e defendeu a necessidade de ampliar a representação política do Oeste na Assembleia Legislativa.
Lunitti cita especialmente uma faixa que envolve Toledo, Marechal Cândido Rondon, Palotina, Assis Chateaubriand, Santa Helena e Guaíra.
Segundo ele, a região precisa de uma voz que conheça suas características econômicas e sociais, especialmente em áreas como agricultura, infraestrutura, saúde, educação e segurança.
A estratégia ajuda também o MDB a tentar reconstruir pontes em municípios onde perdeu espaço nos últimos anos.
