A campanha de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná levou um esbarrão da Justiça Eleitoral por conta de um vídeo feito com inteligência artificial. A juíza Sandra Bauermann, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, determinou nesta segunda-feira (3) que a equipe do senador retire do ar uma publicação que copiava, quase cena a cena, um vídeo de Sandro Alex (PSD) e Rafael Greca (MDB) postado dias antes. A informação é do Paraná Portal. Moro tem 24 horas para apagar o conteúdo, sob multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
O imbróglio começou na sexta-feira (31), quando a equipe de Sandro Alex e Greca publicou um vídeo com IA em que os candidatos a governador e vice-governador simulam uma ligação sobre o “futuro do Paraná”. No sábado (1º), a equipe de Moro divulgou uma peça com a mesma abertura de cena — segundo o despacho judicial, “inclusive com a mão de Rafael Greca” reaproveitada da publicação original. Para a juíza, o material “não respeita as resoluções do TSE” sobre uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral e configura apropriação indevida de conteúdo alheio, capaz de induzir o eleitor a erro quanto à natureza sintética da peça.
O episódio expõe uma contradição incômoda para quem construiu carreira política em cima do discurso de rigor moral e ataques à falta de ética de adversários. Ser flagrado copiando, com uso de IA e sem qualquer identificação clara da tecnologia empregada — exigência expressa do TSE, como reforça o despacho —, uma peça publicitária do adversário direto na corrida ao Palácio Iguaçu é o tipo de tropeço bobo que não deveria acontecer justamente na semana mais decisiva do calendário eleitoral: a de encerramento das convenções partidárias, nesta quarta-feira (5), quando os partidos entram na reta final para protocolar os registros de candidatura até o dia 15.
O caso também é sintoma do momento político mais amplo. Enquanto Moro segue isolado nas articulações estaduais, sem conseguir destravar novas adesões partidárias relevantes além da aliança com Novo, Podemos e DC, o bloco governista de Sandro Alex incorporou nas últimas semanas o PSD, o MDB e, na convenção do Republicanos, também o grupo de Alexandre Curi. Perder tempo de campanha — e capital político — com uma polêmica evitável, motivada por cópia de conteúdo do próprio adversário, é luxo que quem está isolado no tabuleiro paranaense não deveria se dar.
