A propaganda eleitoral começou oficialmente neste domingo (16), e com ela veio a parte que interessa ao eleitor de Marechal Cândido Rondon: saber quem está com quem. Até sábado (15), tudo era conversa de bastidor e insinuação. A partir de agora, pedir voto é permitido, e adesivo colado em carro vira documento.

Na manhã deste domingo (16), o adesivaço em frente ao escritório político na Avenida Maripá, em Toledo, deu uma das respostas que faltava. O presidente municipal do Progressistas, Claudio Kohler (Claudinho), secretário de Desenvolvimento Econômico e vereador licenciado, apareceu engajado no evento da dupla Sperafico. Ao lado dele, o prefeito Adriano Backes, que também é do partido, e os vereadores Luiz Carlos da Silva (Carlinhos), Cleiton Freitag (Gordinho do Suco), e Valdir Sachser (Valdirzinho), este último do União Brasil e presidente da Câmara.

A dúvida era o filho, não o pai

O apoio a Dilceu Sperafico, candidato a deputado federal, ninguém apostava contra. Ele é o nome mais tradicional do partido na região e o apoio já estava desenhado há meses. A incógnita atendia pelo nome de Natan Sperafico, candidato a deputado estadual.

Isso porque Claudinho mantém proximidade política com Hussein Bakri (PSD), que segue sendo o deputado estadual oficial da Prefeitura, o nome que aparece quando se fala em emenda, asfalto e agenda de governo em Marechal Cândido Rondon. Havia quem imaginasse que o partido fosse se dividir nos apoios, mas isso não aconteceu.

Dentro do Progressistas, o único nome entre os vereadores que deve permanecer com Bakri é o vereador Juliano Oliveira, hoje desgarrado do partido, que para federal caminha com Leonaldo Paranhos (PSD).

Em contato com este articulista, Claudinho encerrou o assunto sem meio-termo. “Meu apoio incondicional é para a dupla Sperafico, Dilceu e Natan”, afirmou.

Na mesma conversa, o presidente do Progressistas fechou o restante da lista. Sandro Alex (PSD) para o governo do Paraná, Alexandre Curi (Republicanos) para o Senado e Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.

Claudinho com os Speraficos, pai e filho

O que dizem os números de 2022

Para entender o tamanho da definição, é preciso olhar a última eleição. Em 2022, Bakri foi o candidato a deputado estadual mais votado em Marechal Cândido Rondon, com cerca de 7 mil votos. Naquela eleição, o Progressistas fez campanha para Anderson Bento Maria, hoje secretário municipal de Planejamento, que somou cerca de 4 mil votos na cidade.

O grupo de situação chegou a lançar três nomes ao estadual naquele ano: Bakri, Bento Maria e Marcel Micheletto, atualmente prefeito de Assis Chateaubriand. Havia ainda a candidatura local de Ademir Bier, pelo MDB, que puxava o eleitorado mais tradicional da sigla.

Agora, o desenho é outro. E é pior para o líder da última contagem.

Em 2022, além da máquina partidária, Bakri teve o apoio do grupo do então prefeito Marcio Rauber (União Brasil). Esse capital eleitoral mudou de endereço. Rauber hoje trabalha para Gugu Bueno (PSD).

No MDB, o eleitorado que em 2022 votou em Bier deve ser direcionado ao ex-prefeito de Toledo, Beto Lunitti (MDB). E ainda entram na conta duas candidaturas locais, dos vereadores João Eduardo dos Santos (Juca), do Podemos, e Tania Aparecida Maion, dos Republicanos.

As perguntas que a urna vai responder

Quem será o estufa urna desta eleição em Marechal Cândido Rondon? Bakri consegue segurar a liderança que o levou aos 7 mil votos em 2022? Natan repete a votação que Bento Maria fez pelo Progressistas naquele ano? Rauber transfere de fato seu capital eleitoral para Gugu Bueno? Há espaço para um nome local surpreender e embaralhar a conta de todo mundo? Ou será que o PT, com o apoio focado na professora Nelsi Welter, de Toledo, pode incomodar os candidatos da direita?

Com a propaganda liberada, cada apoio declarado passa a ter data, hora e testemunha. Nos próximos dias, outros nomes da política rondonense terão de sair do muro, porque o eleitor pergunta e a rua cobra. A dupla Sperafico saiu na frente na conquista do apoio fechado do Progressistas. Quanto isso rende em voto, e quanto de troco cada lado vai receber depois, só a apuração de outubro dirá.

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