O ex-vereador e ex-vice-prefeito Valdir Port, o Portinho, é o novo chefe da Ciretran de Marechal Cândido Rondon.
A nomeação foi oficializada nesta segunda-feira (27) pelo governador Ratinho Junior. Portinho assume o cargo que vinha sendo ocupado por Dorival de Oliveira Junior, o Doriva, irmão do vereador Juliano Oliveira, do PP.
A troca vai muito além do expediente administrativo. Ela confirma uma mudança no mapa político local, aproxima antigos adversários e mostra que o governo Adriano Backes começou a cobrar a conta de quem decidiu seguir por outro caminho.
Um longo caminho de volta
Portinho foi secretário de Desenvolvimento Econômico durante boa parte do segundo mandato do ex-prefeito Marcio Rauber. Com as mudanças promovidas no PL no final de 2023, porém, permaneceu no partido e acabou se afastando do grupo que comandava a Prefeitura.
Na eleição de 2024, apoiou a candidatura de Arion Nasihgil ao Executivo municipal. Arion acabou derrotado por Adriano Backes, que assumiu a Prefeitura ao lado do vice Vanderlei Sauer.
Naquele momento, Portinho estava do outro lado.
O cenário mudou depois do rompimento político entre Backes e Marcio Rauber. A separação abriu espaço para novas conversas e permitiu a aproximação de lideranças que haviam apoiado Arion.
Foi o que também aconteceu com os vereadores ligados ao PL local, Iloir Padeiro, Sargento Marcos Spohr e Policial Fábio. Os três que foram eleitos pela oposição passaram a manter uma relação mais próxima com a administração municipal.
Agora chegou a vez de Portinho.
A conta de Juliano
A saída de Doriva Oliveira da Ciretran também tem endereço político conhecido.
Embora Doriva tenha declarado que sua saída ocorreu por iniciativa própria e que teria “caído para cima”, a versão contada nos bastidores é diferente. A leitura predominante é de que sua permanência ficou insustentável diante do comportamento político do irmão na Câmara e nas redes sociais.
Juliano Oliveira pertence ao PP, mesmo partido do prefeito, mas passou a adotar uma postura cada vez mais distante do governo. Dentro do grupo de Backes, suas manifestações e movimentos são vistos como sinais de infidelidade partidária e hostilidade à administração.
Em política, dificilmente alguém consegue manter o irmão numa cadeira importante enquanto trabalha para balançar a cadeira de quem ajudou a colocá-lo lá.
A exoneração de Doriva foi, portanto, o recado que o governo evitou mandar por escrito, mas fez questão de entregar pessoalmente.
Bakri ganha um grupo
A nomeação de Portinho também passa pelo deputado estadual Hussein Bakri, principal representante do Governo do Estado na relação com a administração de Adriano Backes.
É Bakri quem dá sustentação política à indicação para a Ciretran. Em contrapartida, Portinho e seu grupo, o que inclui o irmão e também ex-vereador Elmir Port, devem caminhar com o deputado na eleição que se aproxima.
O cargo, assim, cumpre duas funções. Reforça a base política de Backes em Marechal Rondon e amplia o grupo de apoio de Hussein Bakri no município.
Portinho traz consigo experiência, relações políticas construídas ao longo de décadas e um grupo que permaneceu ativo mesmo depois da derrota eleitoral de 2024.
Na Ciretran, mudou o motorista. Mas o itinerário, como sempre, foi definido pela política.
