Os boatos já vinham circulando pelos corredores. Faltava apenas alguém colocar o assunto em voz alta. E foi o vereador Gordinho do Suco (PP) quem acabou confirmando, na tribuna da Câmara, aquilo que muita gente já tratava como questão de tempo: Marciel Escher (Republicanos) deve retornar ao comando da Secretaria de Agricultura e, com isso, Cristiano Metzner, o Suko (Republicanos), volta a ocupar uma cadeira no Legislativo.

Ao Blog do Jadir, o próprio Suko confirmou que a mudança deve ocorrer possivelmente a partir da próxima quarta-feira, 1º de julho. Ele havia deixado a Câmara em outubro do ano passado, quando ele e o também suplente Verde (União Brasil) foram substituídos pelos titulares Marciel e Marciane Specht (União Brasil), respectivamente. Desde então, Alex Luis Kuhn, vinha ocupando interinamente a titulaidade da Secretaria da Agricultura

Uma troca administrativa, sim, mas com leitura política evidente.

A troca que puxa outras conversas

A movimentação na Agricultura pode ser apenas a parte mais visível de uma reorganização maior no entorno do governo Adriano Backes (PP).

Nos bastidores, há rumores de que o Paço também avalia a dispensa de assessores indicados por vereadores eleitos pela situação, mas que hoje adotam postura claramente mais próxima da oposição.

Dentro desse perfil aparecem nomes como Juliano Oliveira (PP), que já teve assessores afastados anteriormente, Coronel Welyngton (União Brasil) e Rafael Heinrich (União Brasil). Tania Maion (Republicanos) também entra na conversa política, embora não tenha indicados na estrutura.

É bem provável que os vereadores do PL, Iloir Padeiro, Sargento Spohr e Policial Fábio, que, embora eleitos pela oposição mas que hoje estão alinhados com o governo, passem a ter o privilégio de fazer indicações.

O movimento, se confirmado, deixaria uma mensagem objetiva: quem se distancia do governo perde espaço no governo.

Base, oposição e a régua dos cargos

A questão central é simples. Até onde vai a tolerância do Executivo com vereadores eleitos no campo da situação, mas que passaram a votar, discursar ou se posicionar em rota de colisão com o Paço?

A resposta pode começar pelos cargos. Assessorias, chefias e indicações funcionam como termômetro da relação entre Executivo e Legislativo. Quando a temperatura muda, os primeiros sinais costumam aparecer justamente nesses espaços. A corda estoura onde mesmo?

Não se trata apenas de acomodar aliados. Também é uma forma de reorganizar a base, medir fidelidades e deixar claro quem está dentro, quem está fora e quem ainda tenta ficar com um pé em cada canoa. Tem um nesse perfil também.

Ciretran também entra no radar

Outra mudança cogitada não tem vínculo direto com o Executivo municipal, mas tem dedo político no enredo. Trata-se da chefia da Ciretran de Marechal Cândido Rondon, órgão de responsabilidade do Governo do Estado.

Atualmente, o posto é ocupado por Doriva de Oliveira, irmão do vereador Juliano Oliveira. Nos bastidores, a informação é de que o ex-vice-prefeito Valdir Port, o Portinho (PL), pode assumir o cargo também nos próximos dias.

Portinho, por sua vez, não confirma a mudança. Mas, como política também se lê pelos sinais, chamou atenção o fato de ele passar a compartilhar em grupos e redes sociais materiais do deputado estadual Hussein Bakri (PSD), aliado do prefeito Adriano Backes e quem politicamente indica o cargo na Ciretran.

Não é confirmação. Mas também não parece coincidência perdida no vento.

O recado das peças em movimento

Se Suko volta à Câmara, Marciel retorna à Agricultura e Portinho se aproxima da Ciretran, o quadro que se desenha é de recomposição política. Mas não apenas administrativa. O movimento tem cheiro, cor e endereço eleitoral.

O ano é de eleição geral. Além da disputa presidencial, ao Governo do Estado, Senado e Câmara Federal, também estarão em jogo as cadeiras da Assembleia Legislativa. E é justamente aí que a coisa começa a ficar mais apertada.

O prefeito Adriano Backes tem em Hussein Bakri o seu principal aliado e pré-candidato preferencial para deputado estadual. O detalhe é que o cerco começou a fechar.

A definição do apoio do ex-prefeito Marcio Rauber (União Brasil) e de lideranças do seu entorno à pré-candidatura de Gugu Bueno (PSD) colocou um concorrente de peso dentro do território político de Marechal Cândido Rondon. Ao mesmo tempo, Natan Sperafico (PP), filho do deputado federal Dilceu Sperafico (PP), também deve buscar espaço no município, inclusive dentro do próprio grupo governista, já que o PP é o partido do próprio prefeito e integra a base governista.

Como se não bastasse, ainda há dois pré-candidatos locais: os vereadores Juca e Tania Maion. Cada um, a seu modo, tende a dividir apoios, votos e conversas nos mesmos ambientes onde o governo municipal também tenta consolidar sua força.

Nesse cenário, cargos deixam de ser apenas cargos. Viram pontos de apoio, sinais de alinhamento e instrumentos de organização política.

O governo Backes e Sauer parece ajustar espaços, reorganizar aliados e marcar posição diante de vereadores que já não demonstram a mesma sintonia com o grupo que os elegeu. Cada assessor dispensado, cada chefia trocada e cada indicação substituída ajuda a desenhar os novos limites da base governista.

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