Uma reunião marcada para a noite desta quinta-feira (30) pode selar o destino de uma das áreas mais simbólicas de Marechal Cândido Rondon. A comissão provisória de administração do Clube Concórdia deve discutir e, segundo informações obtidas pelo blog, bater o martelo sobre a venda da estrutura do antigo clube.
O imóvel compreende uma quadra inteira no centro da cidade. O valor da negociação seria de R$ 4,5 milhões. A proposta incluiria a assunção da dívida do clube pelo comprador e o pagamento da diferença em 15 parcelas.
O comprador seria uma holding de Marechal Cândido Rondon.
Fim de um ciclo
Se confirmada, a venda representará o encerramento de um longo período de indefinição em torno do antigo Clube Concórdia. A estrutura está abandonada há muitos anos e se tornou um retrato visível da deterioração de um espaço que já foi referência social, esportiva e recreativa no município.
Para muitas famílias rondonenses, o Concórdia não é apenas um terreno bem localizado. Ali aconteceram festas, casamentos, bailes, encontros de domingo, jogos, churrascos, tardes de piscina e histórias que atravessaram gerações.
A lendária boate do Concórdia, o carteado dos mais antigos, os esportes, os eventos sociais e a convivência entre famílias fizeram parte da vida comunitária de Marechal Cândido Rondon durante décadas.
Do abandono ao negócio
Nos últimos anos, porém, o cenário passou a ser outro. Muros pichados, mato alto, estrutura comprometida, dívidas acumuladas e sinais de uso indevido do espaço transformaram o antigo clube em motivo de preocupação.
Em 2025, o tema chegou a ser debatido publicamente a partir de uma proposta apresentada na Câmara pelos vereadores Coronel Welyngton e Valdirzinho Sachser. A sugestão era de desapropriação da área para implantação de um Centro do Idoso.
A ideia abriu discussão na comunidade. Houve quem defendesse a destinação social do espaço, quem preferisse uma revitalização com foco esportivo e quem questionasse se o Município deveria investir na desapropriação de um imóvel privado enquanto a antiga prefeitura também segue abandonada no centro da cidade.
Agora, a decisão pode ser privada
Com a possível venda para uma holding local, o destino do Concórdia pode deixar de passar por uma solução pública e seguir para uma nova fase pela iniciativa privada.
Ainda não há informação oficial sobre qual seria o projeto futuro para a área, caso a negociação seja confirmada.
O que parece cada vez mais evidente é que o antigo clube não continuará como está. Depois de anos de abandono, dívidas e incertezas, o Concórdia pode estar diante de sua última assembleia como patrimônio coletivo de memória e sua primeira página como ativo imobiliário.
