A situação da educação municipal de Marechal Cândido Rondon ganhou contornos estaduais nesta semana. Depois das críticas feitas pelo vereador João Eduardo dos Santos, o Juca, na tribuna da Câmara, durante a 11ª Sessão Ordinária, realizada em 13 de abril, a União dos Dirigentes Municipais de Educação do Paraná, Undime Paraná, divulgou nota pública de apoio ao secretário municipal de Educação, João Klein.
A manifestação da entidade foi publicada nesta segunda-feira (27) e reacendeu a polêmica. De um lado, Juca afirma ter feito cobranças com base em visitas a escolas e Centros Municipais de Educação Infantil. De outro, a Undime considera que o vereador ultrapassou os limites do debate democrático ao usar expressões consideradas ameaçadoras.
As cobranças de Juca
Na tribuna, Juca fez críticas duras à situação da rede municipal de ensino. Segundo ele, visitas feitas a escolas e CMEIs revelaram falta de materiais básicos, problemas de estrutura e dificuldades enfrentadas por diretores, professores e servidores.
O vereador citou, entre outros pontos, a falta de produtos como água sanitária e tinta para canetão. Também cobrou a implantação do fundo rotativo prometido pela prefeitura, que, segundo ele, permitiria às direções resolver despesas menores sem depender de promoções ou arrecadações próprias.
Juca também falou sobre as condições de trabalho dos professores. Um dos casos mencionados por ele envolveu servidoras de um CMEI que, conforme relatou, estariam levando lanche de casa após corte no fornecimento de alimentação. O vereador ainda cobrou solução para a falta de estagiários, problema que, segundo ele, se repete nas unidades de ensino.
Crítica ao secretário
O tom subiu quando Juca direcionou as críticas à Secretaria de Educação. O vereador afirmou que a pasta não teria gestão nem eficiência e questionou a atuação do secretário João Klein.
Em uma das falas, defendeu que a secretaria deveria ser comandada por alguém que entendesse de educação e que conhecesse, na prática, a realidade vivida pelos professores. Também questionou se o secretário e o prefeito visitam as escolas para verificar as dificuldades enfrentadas na ponta.
O vereador ainda afirmou que, caso os problemas não sejam resolvidos, poderia pedir a abertura de uma CPI da Educação. Disse também que chamaria o secretário e comissionados para prestar esclarecimentos e que exporia nas redes sociais os vereadores que eventualmente votassem contra uma investigação.
A reação da Undime
A resposta veio por meio de nota pública da Undime Paraná. A entidade afirmou que Juca se dirigiu ao secretário com palavras de cunho ameaçador, citando a expressão “daqui para frente é pau e cacete”.
Na nota, a Undime reconhece a liberdade de expressão e a função fiscalizadora dos vereadores, mas sustenta que essas prerrogativas não autorizam o uso de linguagem violenta ou intimidatória contra agentes públicos.
A entidade também manifestou solidariedade a João Klein e defendeu que o ambiente institucional seja pautado pelo respeito, diálogo e civilidade. Por fim, afirmou esperar que os fatos sejam apurados e que prevaleça o respeito entre os Poderes.
Debate sobre educação ou disputa política?
O caso mistura dois pontos que precisam ser analisados separadamente. As reclamações sobre falta de materiais, estrutura, alimentação e estagiários dizem respeito à prestação do serviço público e podem ser verificadas pela própria administração, pelo Legislativo e pela comunidade escolar.
Já a forma como a cobrança foi feita entrou em outra esfera. A nota da Undime não rebate diretamente o conteúdo das denúncias, mas sim o tom usado pelo vereador na tribuna.
Nos bastidores, também há quem veja na postura de Juca um movimento de maior exposição política, já que ele é pré-candidato a deputado estadual. Nesse cenário, cobranças mais fortes podem ampliar sua visibilidade. Ainda assim, isso não elimina a necessidade de apuração dos problemas relatados, nem dispensa o debate sobre os limites da linguagem usada no Legislativo.
Selo Ouro também entrou na discussão
Outro ponto levantado por Juca foi o chamado “Selo Ouro” recebido pela educação municipal. O vereador afirmou que o reconhecimento não seria mérito do prefeito nem da Secretaria de Educação, mas dos diretores, professores e demais profissionais que atuam diretamente nas escolas.
A fala reforça o centro da polêmica: para Juca, os resultados da educação aparecem apesar das dificuldades administrativas. Para a Undime, porém, a cobrança política não pode ultrapassar os limites do respeito institucional.
No meio disso tudo, fica uma questão objetiva: a rede municipal enfrenta ou não os problemas apontados pelo vereador? A resposta, mais do que notas públicas ou discursos inflamados, depende de verificação, transparência e providências concretas.
