Duas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral devem movimentar o ambiente político do Paraná na semana que vem. A Quaest e o Instituto Veritá estão em campo para medir a corrida ao Palácio Iguaçu, a disputa pelas duas cadeiras do Senado e, em diferentes formatos, o peso dos principais padrinhos políticos na eleição estadual de 2026.

Os levantamentos chegam num momento importante da pré-campanha: depois de o governador Ratinho Junior anunciar Sandro Alex, do PSD, como nome do grupo governista para a sucessão estadual. A entrada dele nas simulações dá à disputa um retrato mais próximo da configuração que começa a se desenhar para 2026.

Quaest testa três cenários ao governo

A pesquisa Quaest/Genial está registrada sob o número PR-02588/2026. O instituto prevê ouvir 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril, com divulgação marcada para segunda-feira, 27 de abril. A margem de erro informada é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo banco Genial, ao custo declarado de R$ 215.479,57.

No governo do Paraná, a Quaest apresenta três simulações. A primeira inclui Luiz França, Rafael Greca, Requião Filho, Sandro Alex, Sergio Moro e Tony Garcia. A segunda retira Greca e Tony Garcia. A terceira chama mais atenção por testar Paulo Martins, do Novo, como opção ao governo, excluindo Sandro Alex da lista.

É justamente esse terceiro cenário que criou ruído político.

PL e Novo contestam

Os diretórios estaduais do PL e do Novo encaminharam notificação extrajudicial à Quaest pedindo a correção do questionário. O principal ponto é a presença de Paulo Martins (Novo), atual vice-prefeito de Curitiba, como possível candidato ao governo do Paraná.

Os partidos alegam que o cenário não corresponderia ao arranjo político anunciado pelas siglas para 2026. PL e Novo também apontam outros problemas, como a vinculação de Alexandre Curi ao PSD em uma das simulações ao Senado, embora ele esteja filiado ao Republicanos, e a inclusão de Pedro Lupion como opção ao Senado, mesmo com sinalizações de que ele disputaria a reeleição para a Câmara Federal.

A notificação pede que o instituto faça as correções e se abstenha de divulgar a pesquisa enquanto as inconsistências apontadas não forem sanadas. Na prática, a discussão pode interferir no calendário inicialmente previsto para divulgação dos dados da Quaest.

Paulo Martins virou o ponto sensível

A presença de Paulo Martins na pesquisa ganhou peso porque o Novo e o PL anunciaram uma aliança estadual para 2026. Nesse desenho, Sergio Moro aparece como nome do PL ao governo, enquanto Deltan Dallagnol, do Novo, integra a articulação majoritária.

Ainda assim, em política, combinações feitas antes das convenções vivem sob o teto de vidro do calendário eleitoral. As alianças só serão formalizadas no período próprio, entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. Até lá, movimentos de bastidor, pressões nacionais e rearranjos regionais podem alimentar especulações.

No caso da Quaest, a leitura política foi imediata: ao testar Paulo Martins contra Moro e sem Sandro Alex, o levantamento abre uma hipótese que, hoje, dependeria de mudanças profundas nas conversas entre PSD, PL e Novo no Paraná.

Senado também entra no radar

A Quaest também mede a corrida pelas duas vagas ao Senado. O primeiro cenário inclui Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann, Luiz Carlos Hauly e Pedro Lupion.

Outras três simulações reduzem ou alteram a lista de nomes, com combinações envolvendo Curi, Alvaro, Deltan, Filipe Barros, Gleisi, Cristina Graeml, Hauly, Lupion e Rosane Ferreira.

O questionário ainda busca medir se o eleitor prefere senadores alinhados a Lula, a Bolsonaro ou independentes. A mesma lógica aparece na disputa pelo governo, com perguntas sobre o grau de conhecimento do eleitor a respeito dos candidatos apoiados por Ratinho, Lula e Bolsonaro.

Veritá vem logo na sequência

Além da Quaest, está prevista para terça-feira, 28 de abril, a divulgação da pesquisa do Instituto Veritá, registrada sob o número PR-00675/2026. O levantamento prevê ouvir 2.010 eleitores entre os dias 23 e 27 de abril, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo próprio instituto, ao custo declarado de R$ 154.770,00.

Para o governo, a Veritá testa cinco nomes: Luiz França, Rafael Greca, Requião Filho, Sandro Alex e Sergio Moro. O instituto também vai medir segunda intenção de voto e rejeição dos pré-candidatos.

A lista ao Senado é mais ampla, com nove nomes: Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann, Jeffrey Chiquini, Rosane Ferreira e Thiago Bagatin.

Avaliação do governo também será medida

A Veritá inclui ainda perguntas sobre a avaliação do governo Ratinho Junior e de áreas específicas da administração estadual. Entram nesse bloco a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, sistema prisional, saúde, educação e conservação e construção de rodovias estaduais.

Esse tipo de pergunta ajuda a medir o ambiente em que o candidato governista vai entrar na disputa. Em eleições de sucessão, a avaliação do governo costuma ser um dos dados mais observados por aliados e adversários.

Retratos diferentes da mesma eleição

Como toda pesquisa, Quaest e Veritá não antecipam resultado de eleição. Elas mostram fotografias de momento, com metodologias, amostras e questionários próprios. A diferença de nomes testados, especialmente no caso da Quaest, também pode produzir leituras distintas do cenário.

Ainda assim, os levantamentos devem servir como primeira régua pública após a escolha de Sandro Alex como candidato apoiado por Ratinho Junior. Também devem ajudar a medir o tamanho inicial de Sergio Moro, a presença de Requião Filho, o potencial de Rafael Greca e a largada dos nomes ao Senado.

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