A canção “O Bêbado e a Equilibrista”, de Elis Regina, traz uma melodia que reflete de forma melancólica sobre esperanças adiadas e promessas não cumpridas, ilustradas pela célebre frase “A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar”. Esta ideia casa muito bem com a situação do Teatro Municipal de Marechal Cândido Rondon.

Desde novembro do ano passado, acompanhamos anúncios repetidos do deputado Hussein Bakri sobre a liberação de R$ 5 milhões pela Itaipu para a conclusão da obra. No entanto, apesar da recorrência dessas promessas, uma resposta da prefeitura à Câmara de Vereadores jogou um balde de água fria nas expectativas, lembrando-nos que, assim como na canção de Elis, a comunidade rondonense continua a esperar que o show possa, de fato, continuar.

Depois da terceira promessa do deputado, quando teve até áudio dele em grupo de WhatsApp garantindo o recurso (ouça abaixo), o vereador Moacir Froehlich encaminhou um pedido de informações à Prefeitura. Esta semana veio a resposta, assinada pelo prefeito em exercício, Ilário Hofstaetter.

Segundo o Ofício nº 254/2024, a prefeitura informa que recebeu apenas um “aviso informal” da assessoria do deputado sobre a destinação dos recursos, sem nenhuma formalização efetiva até o momento. O documento esquiva-se de compromissos concretos, deixando em aberto questões como a formalização do convênio e a viabilidade de licitação das obras pendentes.

Ou seja, até agora, não existe nada a não ser a promessa.

Ofício da Prefeitura em resposta ao pedido de informações do vereador Moacir Froehlich

Ano eleitoral

Apesar da Itaipu, por ser binacional, não se submeter aos impedimentos da legislação eleitoral, a prática usual da usina é não liberar recursos nos três meses que antecedem as eleições, período que começará em julho deste ano. Com o término do mandato do atual prefeito, Marcio Rauber, em dezembro, o tempo é um luxo que Marechal Cândido Rondon não parece ter para a conclusão do Teatro.

A reiteração de promessas sem a efetivação de recursos sugere só mais uma manobra política, mais preocupada em manter esperanças do que em cumprir promessas. Ou seja, esses anúncios servem mais ao palco político do que ao canteiro de obras do teatro.

Pra encerrar, a bela canção de Elis Regina:

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