Uma carreta tombou neste final de semana numa curva da BR-163, no trecho entre Guaíra e Mercedes, na serrinha de Bela Vista. Por sorte do motorista houve apenas danos materiais, além do susto, é claro.

Na curva em questão muitos acidentes semelhantes já aconteceram no passado, a maioria pelo excesso de velocidade na curva, que é bastante acentuada.

Mas, por muitos anos, a existência de um radar de velocidade na serrinha inibiu a velocidade no trecho e, consequentemente, diminuiu os índices de acidentes. Mas, recentemente, e sem nenhuma explicação do DNIT, o controlador de velocidade foi retirado do local, assim como também aconteceu próximo ao trevo de Mercedes.

E, a depender do nosso Presidente da República, Jair Bolsonaro, os radares nas rodovias brasileiras estão com os dias contados. Recentemente ele mesmo usou o Twitter para comunicar que cancelou a instalação de 8 mil novos radares em rodovias federais e que os contratos serão revisados para avaliar a real necessidade.

Disse ainda que está “verificando a real necessidade de sua existência para que não sobrem dúvidas do enriquecimento de poucos em detrimento da paz do motorista”, referindo-se à suposta “indústria de multas”.

Ora. Não há dúvida de que radares inibem motoristas de desrespeitar os limites de velocidade, aumentando a segurança viária. Como motoristas, podemos até questionar se um limite de 80 km/h ou de 110 km/h é adequado para um trecho ou outro de estrada, o que é efetivamente um problema de engenharia de tráfego. Mas, respeitar o limite é uma questão legal, independentemente de haver radar ou não. Portanto, o motorista que anda na linha, não tem porque temer.

Estudos em vários países comprovam que o controle eletrônico de velocidade impacta diretamente na redução do número de acidentes e mortes nas rodovias. No Brasil, números do próprio DNIT atestam que os radares contribuíram para redução de 24,7% no número de mortes nas vias federais entre 2010 e 2016.

Se nos países mais desenvolvidos que o nosso se investe em equipamentos modernos de fiscalização eletrônica do trânsito, não dá pra entender por que o País que mais mata no trânsito no mundo vai andar na contramão, cancelando a instalação de novos controladores e ainda querendo rever a necessidade dos aparelhos já em operação.

Das duas uma: ou falta informação ou está fazendo demagogia barata.

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