Quem acompanha as manifestações da vereadora Tânia Maion (Republicanos) na Câmara de Marechal Cândido Rondon sabe que o presidente Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão entre seus alvos preferidos. Mas, depois da sessão desta segunda-feira (19), é possível dizer que até eles ficaram no chinelo.
O destinatário da artilharia desta vez foi o colega Cleiton Freitag, o Gordinho do Suco (PP). E Tânia não economizou munição.
A vereadora ocupou a tribuna para responder às acusações feitas pelo colega nas últimas semanas. O tempo regimental terminou antes que concluísse sua manifestação. Nem por isso desistiu. Voltou ao assunto nas Comunicações Parlamentares e completou o serviço.
Hipocrisia, covardia ou mau-caratismo?
O confronto entre os dois vem se intensificando desde setembro, quando divergências sobre investimentos em festas, fiscalização da saúde e questões pessoais passaram a dominar parte dos debates.
O episódio mais grave aconteceu em 28 de setembro, quando Gordinho afirmou que Tânia teria dito que o ex-vereador Sonda, já falecido, iria para o inferno por ser do PT.
Nesta segunda, Tânia negou categoricamente a declaração, cobrou provas e questionou por que o colega teria esperado tanto tempo para fazer a acusação, justamente durante o período eleitoral em que ela disputava uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Também reagiu à afirmação de Gordinho de que ela “ataca como vereadora e se defende como mulher”. Classificou a manifestação como violência política de gênero e apontou uma contradição: o próprio Gordinho é autor da proposta que criou a Galeria Lilás, destinada a homenagear as mulheres que passaram pelo Legislativo.
Foi então que disparou:
“Hipocrisia? Seria covardia? Seria mau-caratismo?”
Gordinho virou Lula
Mas Tânia reservou uma das passagens mais contundentes para o encerramento.
Disse enxergar no colega muitas semelhanças com o presidente Lula, a quem espera ver derrotado nas urnas. Criticou sua formação escolar, acusou-o de criar narrativas e calúnias, apropriar-se de realizações alheias e explorar politicamente os mais humildes.
E ainda deixou uma provocação no ar: haveria outras semelhanças, mas preferia não mencioná-las porque não teria dinheiro para pagar mais um processo.
A resposta e a promessa
Gordinho também ocupou a tribuna. Disse que Tânia vive atacando os colegas e depois tenta se apresentar como vítima. Defendeu sua trajetória política, falou sobre respeito às pessoas humildes e afirmou que não pretende mais alimentar a discussão.
“Vou fazer de conta que não existe mais a pessoa, que é a melhor coisa”, declarou.
Se a promessa será cumprida, só as próximas sessões dirão.
Por enquanto, uma coisa ficou evidente: Tânia encontrou dentro da própria Câmara um adversário capaz de disputar espaço com Lula e o STF em seus discursos mais inflamados.
E, pelo menos nesta segunda-feira, o Gordinho levou a maior parte das pancadas verbais.
