A foto registrada hoje de manhã em Casacvel diz muito. De um lado, o ex-deputado estadual Elio Rusch. Do outro, o presidente da Câmara de Marechal Cândido Rondon, Valdir Sachser (Valdirzinho), ambos do União Brasil. No meio, sorridente, o candidato ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD). Até aí, nada de anormal. O estranho está em quem não aparece na imagem.
Falta o ex-prefeito Marcio Rauber, também do União Brasil de Marechal. E a ausência não é por acaso. Rauber escolheu outro palanque, o do senador Sergio Moro (PL). Criador e criatura agora pedem voto para candidatos diferentes ao Palácio Iguaçu.
O ex-governador mineiro Magalhães Pinto dizia que política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito, olha de novo e já mudou. Em Marechal Cândido Rondon, a nuvem vem mudando não só de forma, mas também de cor e de endereço.
Quem fez quem
Para entender o tamanho da ruptura, é preciso voltar alguns anos. Elio foi o padrinho político de Marcio Rauber. Entregou a ele a presidência do antigo Democratas, hoje União Brasil, e deu ao afilhado a visibilidade necessária para se eleger vereador em 2012. Depois vieram duas vitórias para prefeito, em 2016 e 2020. Nas duas, Elio estava ao lado.
Agora, na eleição que define o sucessor de Ratinho Junior (PSD), os dois seguem caminhos opostos. Elio permanece fiel ao grupo do governador e fecha com Sandro Alex. Rauber virou as costas.
A fatura das obras
A escolha do ex-prefeito chama atenção porque boa parte da sua gestão foi bancada com recursos viabilizados por este mesmo governo que agora ele deixa para trás. Foram sei lá quantas quadras de asfalto na cidade e no interior. Foi a duplicação da Avenida Rio Grande do Sul, do mercado Copagril 2 até a entrada do Lira. Foram a recuperação do anel viário e a construção do contorno Oeste. Estas só algumas das obras tocadas justamente pela Secretaria de Infraestrutura quando Sandro Alex era o titular da pasta.
Esse dinheiro virou mote de campanha incontáveis vezes. Marcio Rauber mostrou as obras, posou ao lado delas e colheu os votos. Fica a pergunta: o que seria da administração dele sem esse caixa estadual?
E tem mais. Até março, Rauber ocupava cargo regional na Casa Civil do próprio governo Ratinho Junior. Hoje é assessor do deputado Gugu Bueno, do PSD, partido do governador e de Sandro Alex. Ou seja, está lotado num gabinete da base governista e pede voto para o principal adversário do candidato dessa mesma base.

O inimigo do meu inimigo
Por que, então, Moro? Este articulista não acredita que a decisão tenha nascido da convicção de que o senador seja o melhor nome para o Paraná. A explicação está mais perto, no Paço Municipal rondonense. O prefeito Adriano Backes (Progressistas) é hoje o maior adversário local de Marcio Rauber. E Backes é muito próximo de Sandro Alex, a quem inclusive apoiou para deputado federal em 2022.
Dividir palanque com Backes seria engolir um sapo grande demais. Marcio preferiu trocar de lado a subir no mesmo palco do sucessor. A disputa estadual virou extensão da briga paroquial.
O problema é que eleição para governador não é acerto de contas municipal. Quem governar o Paraná a partir de 2027 vai decidir se o asfalto chega, se o anel viário recebe manutenção, se novas obras saem do papel. Marechal Cândido Rondon precisa de um governo que olhe para o Oeste, não de lideranças que escolhem candidato pelo rancor.

Criador e criatura
A foto com Elio, Valdirzinho e Sandro Alex resume o momento. O padrinho continua no mesmo lugar. Quem mudou de endereço foi o afilhado.
Na política, lealdade raramente entra na prestação de contas. Gratidão, pelo visto, também não.
Em outubro, as urnas vão mostrar se o eleitor rondonense tem memória e sabe de onde veio o dinheiro das obras que Marcio Rauber tanto exibiu. Ou se, para ele também, a nuvem já mudou de forma.
