A convite do deputado federal Nelsinho Padovani, este articulista esteve na quinta-feira (20) no Harbor Querência Hotel, em Cascavel, numa reunião que o anfitrião fez questão de não chamar de comício. “Reunião de trabalho”, definiu. E era mesmo. Não se pediu voto ali. Pediu-se outra coisa, mais difícil de conseguir e mais cara de cobrar: empenho.
O público era de líderes de cerca de 50 municípios do Paraná, com peso nas regiões Oeste e Noroeste. Prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e secretários municipais lotaram o salão com o candidato ao governo Sandro Alex (PSD) e com os candidatos ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graelm (PSD). Também passaram por lá o ex-ministro e deputado federal Ricardo Barros (PP), o prefeito de Cascavel Renato Silva, o ex-deputado Nelson Padovani, o presidente da AMP e prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, além dos candidatos a deputado estadual como Gugu Bueno (PSD), Batatinha (PSD), Valdecir Alcântara (PP) e de candidatos a deputado federal como Márcio Pacheco (Republicanos), Leonaldo Paranhos (PSC) e Heraldo Trento (União).
Nelsinho não é candidato à reeleição para deputado federal. A convite de Alexandre Curi, ele está na chapa majoritária como segundo suplente ao Senado.
Conheço o Padovani há anos. Nunca o vi assim
Eram convidados dele, gente de casa, e nem por isso houve alívio. Padovani cobrou que os prefeitos coloquem a foto ao lado de Sandro Alex e Curi na imagem de perfil do WhatsApp, para que subordinados, aliados e eleitores saibam de que lado cada um está.
Cobrou mobilização política nas cidades. E foi direto no calendário: em novembro e dezembro não adianta fazer campanha, o momento é agora, faltam 50 dias.
O trecho mais afiado veio de uma conversa que ele relatou ter tido com um prefeito. O prefeito teria dito: “Pois é, vamos ver o que o Ratinho vai fazer”. A resposta do deputado: “O Ratinho não vai fazer mais nada. Tudo o que ele tinha que fazer já fez ao longo dos 8 anos de governo. Agora é a nossa vez de fazer. De mostrar gratidão pelo que foi feito nas cidades”.
Ricardo Barros e Marcel Micheletto foram na mesma linha, com discursos igualmente duros e críticas a Sergio Moro que, segundo eles, não conhece o Paraná e sequer tem o estado como prioridade.
A gratidão virou fatura
Traduzido do palanque para o português corrente, o recado é este: durante oito anos o governo de Ratinho Júnior entregou obra, convênio, recurso e prestígio às prefeituras. Mais, inclusive que o próprio estado de São Paulo, o mais rido do país. Agora chegou o boleto. Padovani não pediu favor, apresentou a conta. E deixou claro que pagamento em novembro não serve, porque a urna fecha em outubro.
É uma cobrança legítima e é também um retrato de como funciona a política paranaense. O prefeito que recebeu e agora hesita não está sendo neutro, está esperando para ver quem paga melhor. Padovani entendeu isso e resolveu antecipar o vencimento.
O que os bastidores explicam
Nos corredores, percebi o motivo do puxão de orelha. Segundo relatos ouvidos no evento, as pesquisas e os trackings diários que medem a temperatura eleitoral apontam o Oeste como a região onde Sandro Alex e Alexandre Curi têm o pior desempenho no Paraná. O nervosismo tem endereço.
Um dos oradores resumiu a estratégia numa frase: “Se vencermos no Oeste, venceremos no Paraná”.
Isso ajuda a explicar a presença cada vez mais frequente dos candidatos e do próprio governador Ratinho Junior na região. Na quinta-feira (20) foram Toledo e Cascavel. Nesta sexta-feira (21), Sandro Alex participa de conversa com empresários na Associação Comercial de Foz do Iguaçu e do lançamento da campanha de Hussein Bakri (PSD) a deputado estadual, em São Miguel do Iguaçu. No sábado (22), volta a Cascavel para café da manhã com o Sindicato Rural, ouvindo demandas do agronegócio, e para os lançamentos das candidaturas de Leonaldo Paranhos, a federal, e Batatinha, a estadual.
É marcação cerrada com a região.
Se a régua apresentada no Harbor Querência for aplicada, os líderes locais terão de escolher entre duas posições. Ou assumem publicamente o compromisso, com foto no perfil e trabalho nas ruas, ou seguem esperando o resultado para depois cobrar o troco de quem ganhar. A segunda opção é mais confortável, mas costuma sair mais cara.
