Na quinta-feira (23), antes da abertura da Expo Rondon 2026, o Blog antecipou que um ex-prefeito convidado para o cerimonial havia declinado e que a cadeira vazia entregaria o nome na solenidade. Depois do evento, a pergunta chegou de vários lados: e a cadeira vazia?

Bom, teve várias.

Da lista de ex-prefeitos e ex-vice-prefeitos convidados para o momento de reconhecimento pelos 66 anos de Marechal Cândido Rondon, visualizei apenas dois na solenidade: o ex-prefeito Moacir Froehlich e o ex-vice-prefeito Valdir Port (Portinho). Além deles, mais ninguém. As cadeiras que a organização reservou para a história do município ficaram, em boa parte, conversando sozinhas.

As versões para o esvaziamento

Como sempre acontece nesses casos, as explicações brotaram mais rápido que os convidados. Teve quem culpasse a chuva, o álibi mais cômodo de qualquer solenidade. Teve quem enxergasse no vazio um termômetro, a leitura de que o governo estaria com pouco prestígio junto aos antigos ocupantes do Paço. E teve até quem especulasse que o convite não passou de uma “armação”, feito para constar e cobrado depois de quem não apareceu.

Não vou cravar qual das versões explica o quadro. Talvez um pouco de cada uma. Mas repito o que escrevi na véspera: homenagem coletiva é assim, ninguém escolhe ao lado de quem senta. Quem aceita, honra a própria história. Quem recusa, seja por vaidade, por mágoa ou por cálculo político, comunica alguma coisa. E ausência em ato público nunca é acidente. Cada cadeira desocupada na noite de quinta-feira (23) disse um nome, exatamente como este Blog havia antecipado.

E a cadeira de Sperafico?

Entre as ausências na frente de honra, uma tinha justificativa escrita em lei. O deputado federal Dilceu Sperafico (Progressistas) esteve na abertura da festa, mas não pôde participar da frente de honra. Pré-candidato à reeleição, ficou impedido pela legislação eleitoral de compor solenidade pública desse tipo.

Sperafico resolveu a restrição do jeito mais eficiente possível. Circulou pelo parque acompanhado do filho Natan Sperafico, também pré-candidato, no caso a deputado estadual. Fora da mesa, dentro da festa. Sem microfone, mas com trânsito livre no meio do público, que é onde o voto mora.

O que sobrou da noite

O prefeito Adriano Backes (Progressistas) disse no seu discurso que o homem, para contar o que é, precisa contar a história. A frase é boa. O problema é que, na noite de quinta-feira (23), a história de Marechal Cândido Rondon mandou dois representantes e um recado coletivo de ausência.

A Expo Rondon segue, os shows vão acontecer e o parque vai lotar. Mas a fotografia da solenidade de abertura já está feita. E ela mostra que, numa cidade que se orgulha de estar entre as maiores arrecadações do Paraná, os ex-gestores e o atual governo não cabem mais na mesma fileira de cadeiras. A dois anos da próxima eleição municipal, isso não é detalhe de cerimonial. É informação política.

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