Era para ser uma solenidade simples, daquelas com autoridades perfiladas, viaturas alinhadas, discursos rápidos e foto oficial no fim. Mas a entrega de três veículos para a Polícia Militar de Marechal Cândido Rondon, marcada para a tarde desta sexta-feira (29), terminou antes mesmo de começar.

O que era para ser entrega virou cobrança pública. E cobrança em viva voz, por telefone, na frente de todo mundo, ao comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Jefferson Silva.

No centro da cena estava o deputado estadual Hussein Bakri, líder do governo Ratinho Junior na Assembleia Legislativa. Ao chegar à frente da sede da 2ª Companhia da Polícia Militar, ele encontrou três viaturas estacionadas, autoridades presentes e tudo pronto para o ato.

Só que, segundo a apuração do Blog, havia um problema: as viaturas não seriam novas e nem todas para Marechal.

A promessa e o sumiço

A história começou há mais tempo, com a promessa de Hussein Bakri de destinar uma viatura nova para a Polícia Militar rondonense, através de emenda parlamentar sua. O compromisso, segundo relatos, chegou a ser formalizado por ofício encaminhado ao prefeito Adriano Backes e a vereadores.

No dia 20 de maio, o Governo do Paraná realizou em Cascavel a entrega de 49 novas viaturas para reforçar a segurança pública da região Oeste. Do total, 15 foram destinadas à Polícia Militar.

O vereador Sargento Spohr, que já havia tratado do assunto na Câmara, esteve no evento. Mas a viatura prometida para Marechal não apareceu. Conforme a versão apurada pelo Blog, ela teria sido direcionada a outra localidade.

A cobrança chegou ao deputado. Diante da falha, a informação repassada foi de que, para compensar o problema, Marechal receberia não uma, mas três viaturas.

Foi então marcada a solenidade desta sexta-feira, às 16h30, em frente à 2ª Companhia da PM.

O detalhe que desmontou a cerimônia

No local estavam o coronel Valmir de Souza, comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar, sediado em Cascavel; o tenente-coronel Luiz Fernando Zorzi, comandante do 19º Batalhão de Toledo; o capitão Paulo Rolon, comandante da 2ª Companhia de Marechal Cândido Rondon; o prefeito Adriano Backes; o vice-prefeito Vanderlei Sauer; vereadores; policiais militares e outras lideranças.

Também estavam as três viaturas, limpas, brilhando, estacionadas na frente da sede da  Companhia e prontas para a foto.

Mas os vereadores Policial Fábio e Sargento Spohr, ambos com trajetória na segurança pública antes da política, perceberam algo errado. Ao observarem os prefixos dos veículos, identificaram que os carros já estavam em operação.

Segundo a apuração, duas viaturas já serviam em Marechal Cândido Rondon. A terceira teria vindo de Mercedes, inclusive com a presença do comandante daquele destacamento no local.

Foi esse detalhe técnico que desmontou o roteiro.

Policial Fábio alertou Hussein Bakri. A partir daí, a solenidade deixou de existir.

O telefonema em viva voz

O vereador ainda tentou conduzir o deputado para dentro da sede da Companhia, para uma conversa reservada. Bakri não aceitou. Segundo relatos de pessoas presentes, ele afirmou que todos ali precisavam saber o que estava acontecendo.

Em seguida, ligou em viva voz para o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Jefferson Silva.

Na ligação, ouvida por quem estava no local, o deputado reclamou da situação. Em linhas gerais, disse que estavam tentando fazê-lo passar por mentiroso. Afirmou que havia prometido uma viatura para Marechal, que o veículo não veio, que foi informado de que viriam três em compensação e que, ao chegar, encontrou viaturas já em uso.

Para Bakri, aquilo não correspondia ao compromisso feito com a cidade.

A acusação pública

O tom subiu ainda mais quando o deputado passou a falar em articulação política. Segundo relatos, ele afirmou que havia gente trabalhando contra Marechal Cândido Rondon.

Bakri disse que tentavam prejudicá-lo, mas que, na prática, quem acabava prejudicada era a cidade. A fala foi feita diante de autoridades, policiais e lideranças presentes.

O deputado citou publicamente o vereador Coronel Welyngton como responsável pela articulação que, na avaliação dele, teria comprometido a entrega da viatura. Aliás, este, em pronunciamento da tribuna na sessão de segunda-feira passada cobrou por que Marechal Rondon ficou sem repasse de viatura.

Ainda conforme relatos, o deputado teria insinuado claramente que a manobra teria relação com o comando regional da Polícia Militar, hoje sob responsabilidade do coronel Valmir de Souza, chegado do vereador Coronel Welyngton.

Bakri afirmou, inclusive, que o comandante poderia ser chamado a prestar explicações na Assembleia Legislativa. 

A solenidade que virou constrangimento

Enfim…

Não houve entrega. Não houve discurso oficial. Não houve foto de celebração.

O que houve foi constrangimento.

Constrangimento para os policiais militares, colocados no centro de uma disputa que não lhes pertence. Constrangimento para as autoridades presentes. E constrangimento para uma cidade que não recebeu o reforço concreto na segurança pública que merecia.

As três viaturas ficaram onde estavam. A solenidade morreu ali mesmo, diante da sede da 2ª Companhia.

O caso subiu de nível

Depois do episódio, a situação teria provocado mobilização nos bastidores do governo estadual, inclusive na Casa Civil. O Blog apurou que Hussein Bakri ameaçou levar o caso diretamente ao governador Ratinho Junior, caso fosse necessário.

A pergunta que fica é simples: onde está a viatura nova destinada a Marechal Cândido Rondon?

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