“Quando um vereador da base aliada resolve subir à tribuna com a faca nos dentes, o cheiro de pólvora política se espalha mais rápido que fofoca em fila de mercado. Foi exatamente essa a sensação após o pronunciamento de Rafael Heinrich (União Brasil) na sessão da Câmara nesta segunda-feira (23).

Em um tom que mistura desabafo e denúncia, o vereador Rafael escancarou o que chamou de “escanteio” político promovido pelo prefeito Adriano Backes (Progressistas). Teoricamente integrante da base governista, Rafael não poupou críticas à falta de habilidade política do Executivo e sugeriu a existência de um governo paralelo na gestão da Secretaria de Saúde operado pela vereadora Marciane Specht (União Brasil).

“Fico em dúvida se é vereadora ou secretária de saúde. Se de repente nós temos um fantoche na Secretaria de Saúde e a vereadora Marciane continua secretária e vereadora”, comentou Rafael.

Não foi apenas uma frase solta. Heinrich, que é nutricionista concursado ligado à própria Secretaria, desenhou um cenário de possível sobreposição de funções e insinuou que a estrutura da pasta poderia estar sendo conduzida por quem, oficialmente, já não ocupa o cargo.

Fantoche ou figura decorativa?

Ao questionar se a ex-secretária realmente deixou o comando ao retornar ao Legislativo, Heinrich sugeriu que o interino pode estar apenas “segurando a cadeira”. Na prática, o vereador levantou dúvidas sobre a autonomia administrativa da pasta.

Desde que Marciane deixou a secretaria para voltar para a Câmara, em outubro de 2025, a pasta é comandada interinamente pelo funcionário de carreira Leandro Dallamaria.

A crítica ganhou tom irônico quando ele mencionou que Marciane já teria acesso a informações internas de forma privilegiada, citando como intervenções previstas sobre o CDI, que ela teria tido acesso antes mesmo dos demais parlamentares. Para Heinrich, isso reforçaria indícios de “dupla função”.

A suspeita foi ampliada com outro recado direto:

“Nós temos aqui alguns indícios de que tem gente fazendo dupla função. Trabalhando como secretária e como vereadora”, denunciou.

Na mesma linha, ele questionou se existiriam “vereadores preferidos”, que teriam acesso diferenciado ao Executivo e, com isso, poderiam capitalizar politicamente sobre ações públicas.

Veja abaixo alguns trechos do pronunciamento do vereador Rafael. A íntegra pode ser vista no canal da Câmara no Youtube.

A resposta veio no plenário

A vereadora Marciane Specht utilizou o espaço das comunicações parlamentares para rebater as acusações. O tom foi firme, mas conciliador. Ela destacou sua trajetória de quase nove anos à frente da Saúde e reforçou que convites para reuniões técnicas não configuram privilégio.

Marciane disse que o convite foi pela sua função de enfermeira e não como vereadora. Segundo a parlamentar, a presença em agendas específicas ocorre pela experiência acumulada e não por qualquer tipo de influência indevida.

“Não há privilégios. Não há como apagar conhecimentos e uma história de caminhada de quase nove anos dentro da Secretaria de Saúde”, afirmou.

também fez questão de enfatizar que o atual secretário interino tem trajetória técnica e autonomia para conduzir a pasta, rebatendo a ideia de que seria apenas uma “figura decorativa”.

Além disso, reforçou que seu mandato é exercido integralmente no Legislativo e que atua em interlocução institucional com o Executivo como qualquer outro vereador. Veja trechos da fala da vereadora. A íntegra pode ser assistida no canal da Câmara no YouTube.

 

 

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