A mensagem do prefeito Adriano Backes à Câmara abriu o ano legislativo dentro do roteiro tradicional: cordialidade, reafirmação de promessas e confiança total na própria gestão. Nada fora do script. O que realmente importa, como sempre, está nos números.

Backes reforça o discurso de que governa sem viés partidário e convida vereadores ao gabinete com projetos “de interesse coletivo”. É um gesto político correto e calculado. O tom é de harmonia institucional, embora a prática costume ser mais complexa.

Restos a pagar

O município encerrou 2025 com R$ 25,2 milhões em restos a pagar, sendo R$ 16,9 milhões não processados. Não é ilegal, mas é um volume que chama atenção. Na prática, são compromissos empurrados para frente, pressionando o caixa atual.

A dívida consolidada soma R$ 81 milhões, dos quais R$ 18,3 milhões são do SAAE. Percentualmente, representa 18,8% da Receita Corrente Líquida, bem abaixo do limite legal. Tecnicamente, a situação é confortável e o prefeito acerta ao destacar isso.

Caixa cheio, execução lenta

O dado mais emblemático é o caixa: R$ 167,9 milhões disponíveis, com superávit financeiro de R$ 141,4 milhões. Dinheiro há. O próprio texto admite que parte será usada para obras que não avançaram na proporção esperada. Em outras palavras: recurso existia, mas a execução ficou para depois.

A justificativa é a cautela diante dos convênios assinados no fim de 2025 e início de 2026. O argumento é prudente. Mas, para quem prometeu “mudança visível”, prudência demais pode soar como lentidão.

A mensagem termina com a promessa de um 2026 repleto de realizações. Caixa existe, discurso também. O que ainda falta é transformar números em obras concluídas e serviços entregues. Porque, no fim, o eleitor não vota em balanço. Vota no que vê da porta de casa.

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