As máquinas da prefeitura de Marechal Cândido Rondon trabalharam nesta sexta-feira (30) no recolhimento dos entulhos do que restou da “prefeitura velha”, o icônico prédio de madeira demolido no apagar das luzes de 2025. A cena, que para muitos rondonenses representa o fim de uma era e um descaso com a memória histórica, é defendida com unhas e dentes pelo Paço Municipal.
Em entrevista recente ao jornal O Presente, concedida há 10 dias, o prefeito Adriano Backes (Progressistas) rebateu as críticas de nomes como Ademir Bier (MDB), que lamentou publicamente a destruição do patrimônio. Segundo Backes, o prédio estava “caindo” e infestado por cupins. O prefeito relatou que a situação era irreversível e que a estrutura estava comprometida a ponto de não permitir reparos simples no telhado.

Uso provisório
Com o terreno limpo, o governo municipal já traçou o destino imediato e futuro da área. No curto prazo, o espaço servirá como um pátio logístico provisório: será aberto para que a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros possam guardar e lavar viaturas, além de funcionar como estacionamento público.
Centro de transporte da saúde
O plano ambicioso, no entanto, é transformar o local no novo Centro de Transporte para a Saúde. Adriano Backes quer acabar com o sofrimento dos pacientes que hoje utilizam o antigo Codecar.
Atualmente, cidadãos debilitados aguardam transporte para consultas em outras cidades durante a madrugada, expostos ao frio e à chuva, sem o mínimo de conforto ou saneamento básico.
A proposta prevê uma estrutura digna, com agendamento unificado, proteção contra o clima, assentos confortáveis, banheiros e até um café para quem espera.
A estrutura erguida pela Maripá na década de 1950, que serviu como o coração administrativo do município de 1960 até 1979
Que não seja uma cortina de fumaça
A história não foi preservada, virou pó, e esse capítulo está encerrado. Resta, agora à comunidade fiscalizar com rigor se o discurso do progresso sairá do papel e que o improviso não vire regra. O espaço precisa devolver à cidade algo que vá além do vazio deixado no chão.
Que a dignidade prometida aos pacientes da saúde não seja apenas uma cortina de fumaça para justificar a derrubada do nosso patrimônio, pois o povo não perdoará se, daqui a alguns anos, encontrar apenas brita e viaturas onde deveria estar um Centro de Saúde humanizado.
Correção
Inicialmente o Blog havia publicado que o Conselho Tutelar passaria para a área de concreto que sobrou do prédio.
Na realidade, o que o prefeito disse na entrevista é que a Assempre passará para este local até que seja reformado o prédio que abriga a entidade, assim como também será reformado o prédio que abrigava o Conselho Tutelar.

