Se tem um tema que anda fedendo, e no sentido mais literal possível, em Marechal Cândido Rondon, é a coleta de lixo. Reclamações pipocam nas redes sociais e grupos de WhatsApp, vereadores cobram na Câmara e, no meio desse turbilhão, a população quer uma resposta simples: por que o caminhão não está passando?
O Blog foi atrás e ouviu o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Alex Luis Kuhn. E o que veio nas respostas ajuda a entender o problema que mistura contrato antigo, falta de mão de obra, frota comprometida e um sistema que já não acompanha o crescimento da cidade.
Apesar da resposta sincera, ao admitir publicamente que a empresa não consegue manter trabalhadores, que os caminhões estão “meio comprometidos” e que ainda não existe data para a nova licitação, o próprio secretário expõe a fragilidade do sistema, que hoje funciona de improviso.
Contrato antigo?
Segundo o secretário, o atual contrato da coleta é de 2022. E isso pesa.
“Além de ser um contrato antigo… hoje temos uma população maior, mais loteamentos, mais geração de lixo”, justifica Alex.
Mas, convenhamos, 2022 não faz tanto tempo assim. Se um contrato em vigor há quatro anos está ultrapassado, talvez a falha esteja no planejamento, que não vislumbrou o crescimento da cidade.
Traduzindo: a cidade avançou, o lixo aumentou, e o contrato ficou para trás.
Falta gente, sobra problema
Um dos pontos mais delicados revelados por Kuhn é a dificuldade da empresa em manter funcionários. Resultado? Equipes desfalcadas, rotas incompletas e regiões acumulando lixo.
“Não está parando o funcionário… trabalham quatro, cinco dias e saem”, explica o secretário.
Além disso, a empresa responsável pela coleta alega outros entraves: caminhões em manutenção, acidentes de trabalho, afastamentos e por aí vai. É uma sequência de fatores que, somados, explicam por que o serviço anda irregular.
Em bom português: a empresa não oferece condições mínimas para segurar mão de obra e o rondonense paga a conta com lixo acumulado na frente de casa.
Prefeitura diz que está cobrando
A Prefeitura diz estar “fazendo o que pode” na esfera administrativa, com fiscalização e notificações.
“A empresa está sendo notificada todos os meses… estamos glosando pagamentos”, garante o secretário.
Ou seja: quando não coleta, não recebe integralmente.
Mas aí entra uma questão prática: notificar resolve o problema imediato? Para quem está com lixo acumulado na frente de casa, a resposta provavelmente é “não”.
Também chama atenção o papel da Prefeitura como mera repassadora de reclamações. Alex afirma que “todas as demandas” que chegam por vereadores ou pela população são encaminhadas ao responsável da empresa, cobrando retorno. Ou seja, o município funciona quase como uma central de protocolo: o cidadão reclama, o vereador reclama, a Prefeitura encaminha, e o problema continua rodando na mesma caçamba furada.
A aposta: nova licitação
A grande carta na manga da Prefeitura é uma nova licitação. E aqui entra a promessa de mudança estrutural no serviço.
Segundo Kuhn, o novo modelo deve garantir mais equipes, mais caminhões, ampliação de rotas e coleta mais frequente nos distritos. Hoje ela acontece apenas uma vez por semana. No novo contrato passará a ter dois dias de coleta.
Mas, a licitação ainda não tem data para acontecer. Nem o edital está pronto para ser publicado. Segundo Kuhn, o processo já avançou na parte técnica e depende agora da planilha de custos para depois seguir ao jurídico e, só daí vai pra publicação.
Mas, tem promessa:
“Pretendemos fazer o mais rápido possível… para dentro desse mês já ter tudo finalizado”.
Força tarefa
Diante do cenário, uma alternativa emergencial seria a própria Prefeitura organizar uma força-tarefa temporária para reforçar a coleta, utilizando equipes e maquinário disponíveis na pasta ou de outras secretarias para cobrir os pontos mais críticos e garantir a regularidade mínima do serviço até a nova licitação entrar em vigor.
É claro que tal medida tende a impactar outras frentes de trabalho, exigindo reorganização interna e definição de prioridades. Mas, pelo menos poderia minimizar o problema mais crítico.
Paralelamente, a colaboração da comunidade também se torna essencial neste período, com a correta separação dos resíduos e o uso de embalagens mais resistentes, reduzindo a ação de animais e ajudando a minimizar os efeitos do acúmulo de lixo nas ruas.
O lixo não espera
Entre a papelada da licitação, planilhas de custo, análise jurídica, prazos para receber as propostas, licitação, prazo para recursos e finalmente a assinatura do novo contrato, a cidade segue produzindo lixo todos os dias. E a população segue cobrando e com razão.
Porque, no fim das contas, não importa se o problema é contrato antigo, funcionário que não fica ou caminhão quebrado. O que importa é o básico funcionando.
E coleta de lixo não é luxo. É serviço essencial.
