Não é mais um movimento isolado. O avanço do deputado Gugu Bueno em Marechal Cândido Rondon começa a ganhar forma, volume e, principalmente, nomes.

O vereador Rafael Heinrich publicou nesta quinta-feira (02) nas redes sociais uma foto ao lado do deputado estadual Gugu Bueno e declarou apoio formal à pré-candidatura do parlamentar cascavelense à reeleição.

E quando o apoio deixa de ser sussurro de bastidor e vira postagem com legenda e emoji, é porque o projeto começou a sair do papel. Veja o post de Rafael nas suas redes sociais:

A declaração de Rafael chega poucos dias depois que o presidente da Câmara, Valdirzinho Sachser, deixou claro o seu apoio a Gugu após meses de “namoro político”.

Some-se a isso o movimento do ex-prefeito Marcio Rauber, que abriu mão de concorrer para se dedicar ao projeto de Gugu no município. Por isso, o quadro começa a ter contornos bastante nítidos.

União Brasil virou a casa de Gugu em Marechal

Há um fio que conecta os apoios declarados a Gugu Bueno no município. Ele tem nome e número: União Brasil.

Valdirzinho Sachser, presidente da Câmara: União Brasil. Marcio Rauber, ex-prefeito: União Brasil. Rafael Heinrich, vereador: União Brasil.

Além disso, os três primeiros suplentes da legenda: Verde, Pedro Rauber e Robson Lopes, todos próximos de Marcio, dificilmente seguirão caminho diferente do ex-prefeito.

E tem mais. O vereador Coronel Welyngton, também do União Brasil, é apontado nos bastidores como um nome com grande chance de se juntar ao grupo de Gugu. Caso não siga esse caminho, a alternativa seria o apoio ao deputado Batatinha, outro parlamentar de Cascavel.

Isso significa que, dos quatro vereadores do União Brasil na Câmara de Marechal, apenas Marciane Specht deve acompanhar o prefeito Adriano Backes e o vice-prefeito Vanderlei Sauer no apoio a Hussein Bakri (PSD).

O dado é relevante e um tanto irônico. O União Brasil é o partido do próprio vice-prefeito. E a legenda, na prática, está quase inteiramente alinhada com o adversário eleitoral do candidato oficial do Paço.

De aposta a candidatura com musculatura

Há poucas semanas, o nome de Gugu Bueno em Marechal era tratado nos bastidores como uma possibilidade. Hoje, começa a ganhar estrutura concreta e com densidade eleitoral real.

A equação que se forma é poderosa: o ex-prefeito com sua rede de influência histórica, o presidente da Câmara com acesso ao Legislativo municipal, um vereador declarado, outro caminhando para a mesma direção, e uma bancada de suplentes com quase 2.600 votos somados prontos para entrar em campo.

O projeto de Gugu, que poderia ser lido como simbólico há alguns meses, passou a ser competitivo. E competitivo, em política, é outra coisa.

O campo de Hussein se complica

Do outro lado, o deputado Hussein Bakri (PSD) ainda parte com vantagem considerável. Foi o mais votado em Marechal nas eleições de 2022, com mais de 7 mil votos, e tem o respaldo declarado do prefeito Backes. Capital político de peso.

Mas o cenário está se complicando e por um flanco que Backes não controla diretamente: o seu próprio partido, o PP.

O deputado federal Dilceu Sperafico não está disposto a assistir passivamente seu grupo político no município emprestar apoio irrestrito a Hussein em detrimento do próprio filho, Natan Sperafico, pré-candidato a deputado estadual. A cobrança por posicionamento já chegou, ou está chegando, para as lideranças do partido na cidade.

Os nomes mais observados são os vereadores Gordinho do Suco e Carlinhos Silva. Ambos eram contabilizados, até pouco tempo, como apoios praticamente certos de Hussein. Hoje, a tendência que se consolida nos bastidores é a de que ambos devem seguir o caminho de Natan. Se essa migração se confirmar, Bakri perde dois cabos eleitorais com peso real.

Backes espremido no meio

Para o prefeito Backes, o momento exige equilíbrio delicado. Ele tem Hussein como candidato oficial do Paço. Mas o PP vai dividir forças com Natan Sperafico. E o União Brasil, partido do seu vice, está quase todo na direção de Gugu.

O resultado prático é que Backes assiste à multiplicação de projetos eleitorais no município sem ter controle sobre todos eles. A eleição estadual de 2026, que deveria ser um teste de força do seu campo, começa a se parecer com um teste de resistência.

 

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