Depois da publicação do artigo sobre os problemas na coleta de lixo em Marechal Cândido Rondon, uma enxurrada de documentos, fotos e reclamações chegaram ao Blog de moradores que já passaram do limite da paciência. E quando o cidadão perde a paciência, geralmente a criatividade entra em cena. Uma moradora foi direta, sem rodeios: disse que, se o caminhão não passa, ela mesma vai dar um jeito, levando o lixo até a frente da prefeitura.
Outro relato veio com uma pitada de humor, daquele tipo que a gente ri, mas é de nervoso. O morador comentou que o problema já passou da fase de “UTI”.
E, junto com os desabafos, um detalhe importante que muda, e muito, a leitura do caso.
A história que as assinaturas contam
É verdade que o contrato tem origem na Concorrência Pública nº 09/2022. Mas agora fica claro que ele não apenas atravessou gestões: ele foi acompanhado de perto por quem hoje está no comando.
Na época da licitação em 2022, quem ocupava a Secretaria de Agricultura era justamente o atual prefeito Adriano Backes. E mais: o atual secretário Alex Luis Kuhn já atuava dentro da própria pasta.
Traduzindo para o bom português: não era um contrato desconhecido, nem uma herança que caiu de paraquedas. Era um modelo já conhecido por quem hoje administra o problema.
Os documentos reforçam
Parar na fala do secretário Alex seria o mesmo que só contar metade da história. Os papéis mostram que esse contrato não ficou esquecido em uma gaveta. Muito pelo contrário, ele seguiu sendo movimentado, ajustado e, principalmente, mantido.
No Aditivo VII, assinado em junho de 2025, aparece a assinatura do prefeito Adriano Backes, além do então secretário Marciel Evandro Escher e representantes da empresa responsável pelo serviço. O documento trata justamente de repactuação e reajuste, mantendo o equilíbrio financeiro do contrato, que segue na casa dos milhões.
Ou seja, não estamos falando de um contrato parado no tempo, mas de um contrato atualizado e validado dentro da própria gestão.
E não parou por aí
Pouco tempo depois, agora bem recentemente, em fevereiro de 2026, veio mais um aditivo e a prorrogação por mais 12 meses. E aí entra um ponto simbólico: o próprio Alex Kuhn, agora já como secretário, assina o documento que estende a vigência do contrato.
Ou seja, o ciclo se fecha.
Quem acompanhou o nascimento do contrato lá atrás também participou da sua manutenção agora. Havia informação. Havia análise. Havia histórico.
Diante disso, a tese de que o problema é apenas “um contrato antigo” e defasado começa a perder força.
Porque, mais do que antigo, ele é um contrato conhecido. E, ainda assim, renovado.

Não é mais sobre um caminhão que não passa
Claro que os problemas operacionais existem e foram bem relatados pelo secretário Alex: falta de mão de obra, alta rotatividade, dificuldades da empresa. Tudo isso realmente pesa.
Mas também pesa o fato de que, mesmo com esse cenário, a decisão foi seguir com o mesmo arranjo. Agora, a situação ganha um contorno mais político do que técnico.
Não é mais só sobre o caminhão do lixo que não passa. É sobre decisões que passaram e continuam passando pelas mesmas mãos.
E aí a pergunta muda de tom.
Não é mais “quem deixou esse problema chegar até aqui?”
Mas sim: por que ele continuou?
