Há uma cena clássica nas histórias de guerra: o soldado que, no meio da batalha, percebe que o tiro veio de dentro das próprias fileiras. Na política municipal, esse fenômeno tem nome técnico: fogo amigo.
A sessão desta segunda-feira (06) a Câmara de Marechal Cândido Rondon protagonizou dois episódios destes. Primeiro foi o fogo do vereador Marciel Escher contra a sua colega de partido, vereadora Tania Maion, já descrito aqui no Blog.
Mas, teve mais uma cena de fogo amigo. O vereador Juliano Oliveira (Progressistas) subiu à tribuna, distribuiu elogios ao prefeito Adriano Backes e a vários diretores da administração e, então, apontou a artilharia para dentro do próprio partido. O alvo: Claudio Kohler, o Claudinho, secretário de Desenvolvimento Econômico e, não por acaso, presidente do Progressistas em Marechal Cândido Rondon. O mesmo partido do prefeito. O mesmo partido do vereador.
A mensagem foi direta ao ponto: para a gestão engrenar, basta trocar o secretário.
O maquinário que não chega
O estopim da revolta tem chão de fábrica. Juliano cobrou o abandono do programa de hora-máquina voltado a indústrias e comércios locais. Segundo ele, o maquinário pesado da prefeitura, que deveria fomentar o crescimento do município, simplesmente não chega a quem produz.
“Vários secretários estão trabalhando, se empenhando, atendendo de prontidão, porém, nesta secretaria, não vejo o mesmo comprometimento”, disparou o parlamentar do alto da tribuna.
Para além das palavras, Juliano protocolou um requerimento exigindo explicações oficiais sobre o apagão no atendimento às indústrias, questionando ainda se há alguma limitação orçamentária ou decreto impedindo o serviço.
O conselho não pedido
O momento mais revelador do discurso veio ao final, quando a diplomacia foi deixada na porta. Juliano abandonou os rodeios e fez um apelo direto a Backes:
“Eu trago aqui, prefeito, uma sugestão de melhoria para de repente estar todo mundo andando no mesmo barco: troca o secretário.”
Há uma ironia sutil na cena. Um vereador do Progressistas pedindo publicamente ao prefeito do Progressistas que demita o presidente do Progressistas do cargo de secretário.
É o tipo de declaração que embaralha hierarquia, expõe desconforto interno e transforma uma cobrança administrativa em capítulo de crise. Porque, quando um vereador do mesmo campo político pede a cabeça de um secretário e presidente do partido, o problema já deixou de ser apenas uma patrola que não saiu do pátio.
