A publicação do edital da CCO da Expo Rondon 2026 trouxe uma ausência que falou mais alto do que qualquer nome presente: o secretário de Desenvolvimento Econômico, Claudinho Koehler (PP), simplesmente não aparece na lista.
A versão oficial, dada pelo próprio Claudinho, é de que se trata de uma opção pessoal e de que ele estaria disposto a ajudar “nos bastidores”, se necessário.
Bonito no discurso. Mas, na prática, difícil de comprar.
Um cargo que conversa com o evento
A secretaria comandada por Claudinho tem ligação direta com a organização da Expo Rondon. É uma das pastas mais envolvidas em eventos desse porte, tanto na articulação institucional quanto no relacionamento com o setor produtivo.
Além disso, Claudinho, ao lado do presidente da PROEM, Junior Niszczak, são os dois personagens do governo Backes e Sauer que mais carregam experiência acumulada nesse tipo de organização. Ou seja, só isso já o colocaria como peça natural dentro da comissão.
Ficar fora de uma comissão como a da Expo Rondon não significa apenas abrir mão de uma função operacional. Significa também se afastar de uma vitrine política relevante.
A feira é o principal evento do calendário do município. É espaço de articulação, visibilidade e construção de relações.
Por isso, a ausência de um secretário com esse perfil tende a ser interpretada além da explicação formal.
O peso de quem colocou Backes no poder
Claudinho não é um figurante nesse governo. É presidente do PP local, foi peça-chave para que o deputado federal Dilceu Sperafico tirasse o apoio de Arion Nasihgil em 2024 e embarcasse no projeto de Adriano Backes, o que ajudou a selar a vitória do atual prefeito.
Por isso a pergunta que circula é outra: Claudinho pediu mesmo para ficar de fora ou foi “ajudado” a não entrar? Em política, “opção pessoal” costuma ser o eufemismo elegante para evitar expor um desgaste real. Ainda mais quando, paralelamente, crescem os comentários de bastidor de que o secretário não estaria num dos momentos mais pacíficos no governo.
As hipóteses que não podem ser ignoradas
Até aqui, Claudinho vinha declarando publicamente apoio a Hussein Bakri (PSD), o nome abraçado pelo Paço Municipal. Mas a pressão do clã Sperafico para fortalecer a candidatura de Natan Sperafico ao Legislativo estadual não é segredo para ninguém.
Fica a dúvida: o principal articulador da virada de Sperafico a favor de Backes em 2024 resolveu, agora, alinhar-se com Natan? E se resolveu, como isso caiu dentro do gabinete do prefeito?
A ausência dele na CCO alimenta outra especulação: a de que seu ciclo no secretariado pode estar perto do fim. Há quem aposte que Claudinho deve voltar para a Câmara depois das eleições de 2026 para disputar a presidência do Legislativo no biênio 2027/2028. Só que, do jeito que a política anda acelerada, há quem veja nessa “saída silenciosa” da vitrine da Expo um ensaio para um retorno antecipado ao plenário.
Mais do que uma escolha pessoal
Seja qual for a explicação verdadeira, uma coisa é certa: quando o maior evento do município é montado sem o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do partido do prefeito, não estamos diante de uma simples escolha de agenda.
Estamos diante de um sintoma político.
O que fica, por ora, é a imagem de uma peça importante fora do lugar. Claudinho Koehler é experiente demais para fazer movimentos sem calcular consequências. Cada passo seu, inclusive os passos de lado, carregam algum significado.
