Durante entrevista ao jornal O Presente, ao lado do deputado Hussein Bakri, o prefeito Adriano Backes foi diretamente questionado sobre o episódio em que o vereador Juliano Oliveira (PP) pediu publicamente a troca de Claudio Kohler, o Claudinho, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A fala do vereador das tribuna da Câmara soou como uma crise dentro do partido, uma vez que Claudinho é também o presidente do PP.
Na resposta, o prefeito, também do PP, resolveu puxar o freio. Não da gestão, mas da língua alheia, tratando de baixar a temperatura… e subindo o tom do recado.
“Não é crise, é vaidade”
Backes recusou a palavra “crise”. Para ele, o que se viu na tribuna foi uma mistura de vaidades, interesses mal administrados e, sobretudo, falta de diálogo interno. “Eu vejo não crise, eu vejo vaidades”, afirmou o prefeito, atribuindo o episódio a um pedido que simplesmente não tem como ser atendido, ao menos não nos termos em que o vereador deseja.
A explicação técnica veio logo em seguida: o requerimento protocolado por Juliano envolve um atendimento que depende de uma base legal que, segundo Backes, ainda não existe. E o secretário, diz o prefeito, está fazendo exatamente o que deve ser feito: respeitando esse trâmite.
A leitura do prefeito tenta reposicionar o episódio: sai de cena a narrativa de racha político e entra a de ruído interno típico de grupo grande, daqueles em que todo mundo quer acelerar, mas nem todos aceitam esperar o sinal abrir.
O puxão de orelha
Mas o ponto mais interessante veio embalado em diplomacia com pitada de advertência. Sem citar nominalmente, o recado tinha endereço claro: faltou cautela, faltou diálogo e, principalmente, faltou “freio na língua”.
Para Backes, levar a bronca direto à tribuna, sem esgotar as conversas internas, foi um passo maior que a perna. E mais: expôs um companheiro de partido que, como ele mesmo lembrou, não é apenas secretário municipal, é vereador licenciado e presidente do partido.
“A tribuna é aberta a cada um”, reconheceu Backes. Mas aberta não significa que seja sempre o caminho mais inteligente.
Traduzindo do “backês” para o rondonense: roupa suja até pode ser lavada, mas não precisa ser no microfone aberto.
Recado pra dentro
Ao defender Claudinho, Backes também protege a engrenagem partidária. Afinal, mexer em Claudinho não seria só trocar uma peça administrativa, seria mexer na estrutura política do PP local.
Além disso, Backes confirmou ainda algo que já circulava nos bastidores: a insatisfação dentro do partido não foi com o secretário, mas com quem fez a crítica pública, no caso, Juliano Oliveira.
Claudinho saiu do episódio com o respaldo do partido. E, ao que parece, do próprio prefeito.
Para Backes, o caminho agora é o diálogo. O partido está de pé. O secretário, também.
Moral da história
Se a sessão de segunda escancarou o desconforto, a fala de quarta tentou enquadrar o roteiro. Menos microfone, mais bastidor. Menos impulso, mais cálculo.
E o vereador, que subiu à tribuna para pedir uma troca, pode ter saído do episódio precisando, ele mesmo, trocar de estratégia. Porque, no fim das contas, não é só a patrola que precisa sair do pátio. Às vezes, é o discurso que precisa voltar para a garagem.
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