Não é segredo pra ninguém. Está nas redes sociais dos envolvidos.

Nesta quinta-feira (19), o presidente da Câmara de Marechal Cândido Rondon, Valdirzinho Sachser, esteve no escritório político do deputado estadual Gugu Bueno, em Cascavel. E está claro que não foi apenas um café entre conhecidos. Foi o acerto de mais um apoio para o projeto de reeleição do 1º secretário da Assembleia Legislativa.

Ao lado do ex-vereador rondonense Ronaldo Pohl, amigo pessoal do deputado, Valdirzinho reforçou um alinhamento que já vinha sendo construído há cerca de um ano, como o próprio Blog já informou em março de 2025. A diferença é que, agora, o silêncio começa a ganhar volume político.

O gesto ajuda a responder uma das perguntas deixadas no ar no texto que publiquei no início da semana, quando antecipei a desistência de Marcio Rauber de concorrer para apoiar Gugu: sim, há um movimento real para estruturar uma base robusta em torno de Gugu Bueno em Marechal Cândido Rondon.

Valdirzinho e Gugu publicaram nas suas redes sociais

A engrenagem que pode girar votos

O apoio do ex-prefeito, aliado ao do presidente da Câmara, tendem a ser catalisadores desse projeto. Caso eles consigam reunir mais nomes com densidade eleitoral no município, o desempenho de Gugu pode deixar de ser simbólico e passar a ser competitivo.

Nos corredores políticos, comenta-se que pelo menos outros dois vereadores já estão conversando com Gugu. Se confirmadas as adesões, o movimento pode criar um efeito dominó, atraindo ainda mais gente. Todos de olho em 2028.

Entre os possíveis reforços não faltam peças com votos no currículo. Alguns nomes são meio que lógicos e não é preciso fazer muito esforço mental para deduzir.

Os três primeiros suplentes de vereador do União Brasil são particularmente muito próximos de Marcio: o amigo Verde (924 votos), o pai Pedro Rauber (859 votos) e o parceiro no escritório de advocacia Robson Lopes (816 votos). Três bons cabos eleitorais que dificilmente não estarão na mesma estrada que Marcio for seguir.

Somados, esses apoios representam mais do que números isolados. São estruturas, redes de influência e capital político que, organizados, têm potencial para mudar o cenário.

Isso significa, na prática, que o projeto do deputado cascavelense pode deixar de ser uma aposta periférica para se tornar uma candidatura com musculatura real no município.

O desafio para BakriO deputado Hussein Bakri (PSD) parte para a campanha com vantagem evidente no município. Foi o mais votado em Marechal Rondon em 2022, com mais de 7 mil votos e hoje conta com o respaldo direto do prefeito Adriano Backes (PP).

Mas política não é fotografia, é filme. E o roteiro de 2026 pode ter novos protagonistas.

Se Gugu consolidar uma base forte puxada por Rauber, Valdirzinho e aliados, a tendência é que a votação de Bakri sofra desgaste. Não necessariamente perda de liderança, mas uma divisão significativa de votos que pode alterar a dinâmica da disputa.

Lembrando ainda que Marechal terá pelo menos um candidato nato. O vereador Juca (Podemos) segue firme na sua pré-candidatura.

Sperafico entra no jogo

Como se não bastasse tudo isso, outro fator promete tensionar o ambiente: a ofensiva do deputado federal Dilceu Sperafico (PP) para eleger o filho, Natan Sperafico, deputado estadual.

Sperafico não vai admitir que todo o seu grupo político na cidade, que elegeu o prefeito e três vereadores em 2024, agora empreste apoio incondicional para Hussein, em detrimento do seu próprio filho.

É muito provável que lideranças como os vereadores Gordinho do Suco e Carlinhos Silva passem a ser peças-chave nessa equação. Fechados com Sperafico para federal, eles seguem discretos quando se trata de apoio a deputado estadual. Mas a cobrança para um posicionamento certamente chegará, se é que já não chegou.

Se parte do PP migrar para o projeto de Natan, o campo de apoio de Bakri pode sofrer ainda mais fragmentação.

Mais que uma eleição estadual

A eleição de 2026 virou um teste de liderança, estratégia e sobrevivência política.

O que está em jogo não é apenas uma vaga na Assembleia. Tanto Hussein quanto Gugu tem musculatura política e eleitoral para seguirem deputados sem os votos de Marechal Cândido Rondon.

Mas, a disputa doméstica que começa a se desenhar cria contornos de prévia municipal. Quem conseguir demonstrar mais força agora chegará em 2028 com capital político ampliado. Quem perder espaço poderá iniciar o próximo ciclo em posição defensiva.

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