Faleceu na noite desta terça-feira (03) o rondonense Paulo Pereira, o Paulão do PT. Muito conhecido em Marechal Cândido Rondon tanto pela sua militância política quanto pelos momentos de alegria que causava nas crianças na época do Natal, interpetando o Papai Noel.

Paulão estava hospitalizado em Curitiba havia 22 dias após sofrer um ataque cardíaco. Chegou a permanecer cinco dias em coma, mas nos últimos dias estava lúcido e chegou a conversar com familiares. No entanto, durante um procedimento de traqueostomia (necessário após vários dias em ventilação mecânica), sofreu uma parada cardíaca e faleceu às 19h de ontem.

O velório e o sepultamento ocorrem hoje em Curitiba, onde passou a morar desde dezembro de 2024.

Do ABC paulista ao berço do sindicalismo

Paulão carregava na própria biografia um pedaço da história do sindicalismo brasileiro e do Partido dos Trabalhadores.

Natural da região do ABC Paulista, berço de grandes mobilizações operárias, ele atuou como motorista profissional e trabalhou na Pirelli. Foi nesse ambiente que mergulhou de vez no movimento sindical.

Na época, chegou a presidir o Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC, vivendo de perto um momento histórico: o nascimento de um novo movimento político no país.

Paulão acompanhou o início da trajetória do então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva e também os primeiros passos da criação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil.

A chegada ao Oeste do Paraná

Depois de anos em São Paulo, mudou-se para Umuarama. O destino acabou mudando novamente quando a filha passou no vestibular da Unioeste, em Marechal Cândido Rondon.

A família chegou à cidade no ano 2000.

E Paulão rapidamente encontrou seu espaço: a política local. Sempre identificado com o PT, tornou-se uma presença constante em debates, reuniões e campanhas.

Para muitos militantes, ele acabou virando uma espécie de símbolo do partido na cidade.

O ex-vereador Fernando Nègre, atual presidente do PT rondonense, resumiu bem esse sentimento:

“Ele foi um grande companheiro! Sempre disse que se o PT de Marechal Cândido Rondon tivesse um rosto, ele seria a cara do Paulão do PT.”

Um Papai Noel improvável

Mas talvez a faceta mais curiosa de Paulão fosse outra: a de Papai Noel.

Alto, gordo e de barba longa era praticamente um Papai Noel pronto de fábrica. Ele passou muitos anos interpretando o bom velhinho em eventos e ações natalinas.

Atuou inclusive como Papai Noel da Pernambucanas em Marechal, além de atender diversas ações particulares na cidade.

E aí entra uma ironia que ele próprio gostava de contar.

Uma das principais contratantes de seu Papai Noel era Alita Rusch, esposa do ex-deputado Elio Rusch, tradicional liderança política conservadora da região.

Um militante histórico da esquerda contratado por uma família ligada à direita. Segundo a viúva, Suely Pereira, isso nunca foi problema.

“Eles sempre souberam separar muito bem essas coisas”, recorda com emoção e gratidão.

E talvez essa seja uma das boas sínteses da história de Paulão: convicções firmes na política, mas relações humanas que iam muito além das ideologias.

Tinha também uma atuação religiosa sempre participativa. Era luterano e participava ativamente da sua comunidade, a Igreja Luterana Alvorada (IELB). Foi inclusive presidente da Liga de Leigos do Distrito Lago Itaipu.

Última mudança

Em dezembro de 2024, Paulão e a esposa mudaram-se para Curitiba para ficar mais próximos da filha e da neta.

Foi lá que ele passou seus últimos meses de vida.

E também onde a história de um personagem que marcou, à sua maneira, a política e o cotidiano rondonense chegou ao fim.

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