Se alguém disser que sabe quem será o candidato de Ratinho Junior ao governo em 2026, ou está muito bem informado… ou está blefando com convicção.
O cenário, que já foi previsível, virou uma espécie de “bolsa de apostas do Centro Cívico”. E, como toda bolsa nervosa, oscila a cada boato, reunião ou café atravessado.
Mas há uma expectativa de que neste final de semana ocorra uma definição.
De três nomes a um duelo improvável
Até outro dia, o cardápio governista tinha mais opções que churrascaria em domingo: Rafael Greca, Guto Silva e Alexandre Curi.
Agora, o que se desenha é um funil daqueles bem apertados e com duas saídas bem diferentes: Eduardo Pimentel, o “outsider de última hora” e Alexandre Curi, o articulador raiz.
Greca, que parecia carta forte, virou quase figurante ou, no máximo, peça de composição. Nos bastidores, já se fala mais em mandato legislativo do que em Palácio Iguaçu.
Enquanto isso, Guto Silva parece ter sido rebaixado, hoje mais cotado para vice ou Senado.
Pimentel: a aposta de risco alto
A eventual entrada do jovem prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, tem um ingrediente dramático: prazo.
Se quiser jogar o jogo estadual, precisa largar a prefeitura até o início de abril. E não é uma licença. Precisa renunciar. Traduzindo: trocar um cargo certo por uma candidatura incerta.
É o típico movimento que separa políticos cautelosos de jogadores ousados.
Nos bastidores, há quem veja nisso uma tentativa de “curitibizar” a eleição, ou seja, levar o peso eleitoral da capital para enfrentar um adversário (Moro) que já nasce competitivo.
Mas há também o risco óbvio: perder e ficar sem mandato. Política não costuma perdoar apostas erradas.
Curi: o candidato do interior
Do outro lado, Alexandre Curi representa o oposto. Menos holofote, mais estrutura.
Tem trânsito com prefeitos, conhece o mapa político do interior e joga um jogo mais tradicional, que costuma decidir eleição longe das câmeras e perto das bases.
Se Pimentel é a aposta, Curi é o seguro.
E, em política, às vezes o seguro vence a emoção.
Oposição já está em campo
Se no governo reina o suspense, na oposição o roteiro está praticamente pronto: Sergio Moro será o nome da direita pelo PL. Requião Filho deve representar a esquerda pelo PDT. E o desconhecido Luiz França (Missão) entra como alternativa ligada ao MBL.
Ou seja: enquanto o grupo de Ratinho decide quem entra em campo, os adversários já estão aquecendo.
E, em eleição, largar atrás raramente é confortável.
O estilo Ratinho de decidir
Ratinho Junior segue fiel ao próprio estilo: segura, testa, mede, observa. Já disse que pode decidir só lá na convenção. E não está errado, do ponto de vista legal.
Mas politicamente, cada dia de indefinição é um espaço que alguém ocupa. E hoje, quem mais cresce nesse vácuo atende pelo nome de Sergio Moro, ainda mais depois que entrou para o PL de Jair Bolsonaro.
Sobrevivência política
Mais do que escolher um candidato, o que está em jogo é a sobrevivência de um grupo político.
O governador precisa de um nome que reúna no mínimo três características: segure a base, dialogue com o interior e enfrente Moro de igual para igual.
Missão simples?
