O que deveria ser uma votação técnica sobre o Projeto de Lei nº 18/2026, que prevê a criação de seis cargos comissionados na procuradoria jurídica do município, transformou-se em um campo de batalha verbal durante a sessão desta segunda-feira (23). Vereadores a favor da matéria claramente uniram-se para enquadrar a postura da vereadora Tania Aparecida Maion (Republicanos).
O “enquadramento” não se deu pelo posicionamento contrário da vereadora, até por que os vereadores Juca (Podemos) e Juliano Oliveira (PP) também foram contra. O que deixou os vereadores indignados foi o uso das redes sociais para, segundo os vereadores, jogar a sociedade contra quem foi a favor da matéria.
O Blog fez alguns recortes das falas mais polêmicas que são exibidos abaixo. A íntegra dos debates está no canal da Câmara no YouTube.
“Bananas”
O vereador Gordinho do Suco (Progressistas) abriu a artilharia com um desabafo da tribuna: “Nós não podemos ser uns banana aqui, nós estamos sendo banana aqui” (confesso que lembrei dos Bananas de Pijama). A expressão foi usada para cobrar uma postura mais enérgica dos colegas contra o que ele classificou como um jogo de cena de Tania.
Segundo Gordinho, a vereadora assina pareceres favoráveis nas comissões e, no plenário, vota contra para posar de “vítima” e “heroína” nas redes sociais. A atitude ele comparou a “passar um cheque sem fundo”, jogando a imagem do Legislativo no lixo.
“Vereadora cínica”
O tom subiu ainda mais com Iloir Padeiro (PL), que não economizou no adjetivo ao chamar Tania de “cínica”. Para ele, a vereadora usa a tribuna para ameaçar os pares com exposição na internet e mantém um “ar de sorriso” desrespeitoso enquanto os colegas falam durante a sessão.
Ele rebateu as críticas dela sobre o número de procuradores municipais e detonou a estratégia de se vitimizar por ser minoria feminina: “É cínica a postura de quem quer o bônus da política, mas foge do ônus da verdade”, sugeriu o parlamentar.
Pouco presente
Já o primeiro secretário Coronel Welyngton (União Brasil) rebateu a reclamação de Tania de que não havia sido convidada para uma reunião interna com a procuradora do município sobre o projeto de lei. O Coronel afirmou que ela não participou porque “se faz pouco presente na casa“.
Ele alfinetou dizendo que, se ela estivesse mais presente na Câmara, saberia das reuniões que acontecem.
Manter o nível
Até o presidente Valdirzinho Sachser (União Brasil), embora mais institucional, deixou uma indireta clara sobre o uso das redes sociais para “queimar” colegas: pediu que o Legislativo mantenha o nível e que as convicções de voto não sirvam de combustível para a exposição desnecessária dos pares na internet.
Defesa com contra-ataque
Tania Maion, por sua vez, não recuou. Fundamentou seu voto contrário no resultado de uma enquete digital onde 87,5% dos participantes rejeitaram o que chamou de “cabide de empregos”. Ela ainda alertou os eleitores para observarem se os vereadores iriam honrar o povo ou “dizer amém ao prefeito” traindo a confiança de quem os elegeu em troca de cargos.
Sobre a polêmica da assinatura na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), explicou tratar-se apenas de um “juízo de admissibilidade” permitindo que o projeto tramitasse em plenário e classificou os ataques dos colegas como “covardia”. Ela explicou que o projeto chegou na véspera e ela não teve tempo hábil de analisá-lo antes da comissão, por isso liberou o trâmite e foi pessoalmente à prefeitura buscar os dados para decidir seu voto final no plenário.
Respondendo ao Coronel Welyngton, que afirmou que ela não participou de uma reunião de alinhamento com a procuradora na Câmara porque se fazia “pouco presente”, Tânia rebateu dizendo que ele faltou com a verdade. Ela explicou que não estava na reunião porque não foi convidada pelos vereadores da base.
Projeto aprovado
Apesar do embate inflamado, o Projeto de Lei nº 18/2026 foi aprovado em definitivo com nove votos favoráveis e três contrários: de Tania Maion, Juca e Juliano Oliveira. A proposta agora segue para sanção do prefeito Adriano Backes e garante a criação de seis cargos em comissão para assessoramento na Procuradoria-Geral com salários de R$ 6 mil.
Para o Executivo, a medida é vital, pois a estrutura atual conta com apenas dois analistas e dois assistentes, o que estaria gerando um gargalo em processos que aguardam pareceres jurídicos desde 2019.
