A saída de Arion Nasihgil da presidência do PL rondonense não foi apenas um movimento administrativo. Foi político, bem político. E, como todo bom movimento político, veio carregado de mensagens indiretas.

Ontem (25), antes de emitir sua nota oficial anunciando que estava deixando a presidência do PL local, Arion reuniu lideranças do partido, entre elas os três vereadores: Iloir Padeiro, Sargento Spohr e Policial Fábio. Na conversa, Arion teria revelado que o principal motivo era o  seu apoio pessoal à deputada federal Leandre Dalponte, que é alinhada ao grupo do governador Ratinho Junior. Mas, curiosamente, na nota oficial, esse ponto simplesmente foi ignorado.

O que apareceu, no lugar, foi uma alfinetada elegante: crítica à aproximação de parte do PL com a gestão do prefeito Adriano Backes.

“No entanto, não posso deixar de registrar, com a mesma transparência que sempre pautou minha atuação, que não compactuo com o atual posicionamento de parte do partido em relação à política municipal.”, escreveu.

E aí começa o verdadeiro enredo.

A nota que diz pouco… mas diz muito

Na sua manifestação oficial , Arion faz questão de reforçar fidelidade ao bolsonarismo, citando Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, e deixa claro que não concorda com o rumo que parte do partido tomou no cenário municipal.

Sem citar nomes, mas com endereço certo.

Enquanto isso, os vereadores do PL que visivelmente jogam unidos como talvez nenhum outro grupo local, responderam em tom protocolar: respeitam a decisão, pregam união e dizem que vão “avaliar os próximos passos”.

Tradução política: ninguém quis comprar a briga…

Mas o simples fato de sair uma segunda nota já mostra que o clima não é exatamente de paz franciscana.

O pano de fundo: o racha estadual

O episódio local não é isolado. Ele é reflexo direto do terremoto que atinge o PL no Paraná.

A chegada de Sergio Moro ao partido dividiu a sigla. De um lado, quem acompanha Moro. Do outro, quem prefere manter alinhamento com Ratinho Junior. A debandada de prefeitos liderada por Fernando Giacobo escancarou esse racha.

E Marechal, claro, não ficaria imune.

Policial Fábio no radar

Com a saída de Arion, cresce a chance de o comando local cair nas mãos do vereador Policial Fábio. E não é por acaso. Vamos às evidências:

1. DNA ideológico

Fábio é, disparado, o mais alinhado ao bolsonarismo raiz dentro do PL local. Não que outros não sejam, mas mais bolsonarista que Fábio, só a Tania Maion, que não é do PL.

2. Escolha de palanque

Enquanto outros nomes do partido (não todos, obviamente) tendem a orbitar Ratinho, Fábio vai seguir Sérgio Moro no Paraná.

3. Conexão estratégica

É próximo do deputado Filipe Barros, hoje peça-chave no comando do partido, após a renúncia de Giacobo à presidência estadual.

Ou seja: reúne o combo que interessa ao novo eixo de poder da sigla.

No fim das contas…

Arion saiu da presidência, mas não saiu do jogo. Continua filiado, ativo e, ao que tudo indica, incomodado.

Hoje, nas suas redes sociais ele publicou:

“Calma, gente… ainda não abandonei a política 😅
Será apenas um tempo longe da presidência do partido, que exige muito comprometimento e dedicação. No momento, preciso focar em minha família e meu trabalho.
Sigo filiado ao PL, dentro do mesmo grupo e participando sempre da nossa política, ainda que nos bastidores. Meu sonho por uma Marechal melhor e mais justa está muito longe de terminar 🙏🏻”

Já os vereadores tentam segurar a onda, mas terão que escolher um lado mais cedo ou mais tarde.

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