O Blog alertou quando surgiram os primeiros rumores. Alertou quando o caminhão de Guaíra apareceu no pátio do BPFron. Alertou quando o prefeito de Guaíra confirmou que a estrutura estava sendo preparada.

E a cidade ficou parada, assistindo de camarote o que levou anos para ser conquistado, ir simplesmente embora. Ninguém berrou. Ninguém coletou assinaturas. Ninguém viajou pra Curitiba pra brigar pelo que é nosso.

Agora, o alerta virou discurso oficial em plenário.

Na sessão desta segunda-feira (09), o presidente da Câmara, Valdir Sachser (União Brasil), o Valdirzinho, foi o portavoz do que muitos temiam: a sede administrativa e a logística do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) estão de malas prontas para Guaíra.

O motivo imediato é o vencimento do contrato de aluguel do antigo Salão Borgmann, em março. Enquanto Marechal Cândido Rondon patina em uma obra interminável, Guaíra se preparou com dinheiro da Itaipu, oferecendo uma estrutura que humilha nossa atual condição: escola de formação, pista de atletismo, piscina e academia. É o clássico “enquanto uns dormem, outros trabalham”.

Valdirzinho relatou que o próprio comandante do BPFron, Coronel Prado, comunicou a mudança. O discurso oficial é de que a transferência é “temporária”. No entanto, quem conhece a administração pública sabe que, no Brasil, nada é mais definitivo do que um puxadinho ou uma sede temporária.

O presidente da Câmara expressou sua indignação com o descaso estadual: “O Estado não consegue resolver problemas pequenos para finalizar uma obra de grande envergadura”, disparou, referindo-se aos entraves de acabamento e uma laje perfurada que travam a nova sede rondonense.

PRE: quando o posto fica, mas o efetivo some

No mesmo pacote de preocupações com a segurança pública entra a Polícia Rodoviária Estadual.

Requerimento apresentado pelos vereadores Policial Fábio, Sargento Sphor e Coronel Welyngton, escancarou uma situação delicada: o posto da PRE em frente ao aeroporto existe, mas o efetivo foi transferido para Santa Helena. O retorno recente ocorreu apenas por causa da Operação Verão.

Depois dela, ninguém garante nada.

O alerta é simples e incômodo: rodovia sem presença física não previne acidente, não educa trânsito e não inibe imprudência. Manter prédio sem policiais é só manter fachada.

Patrulha Maria da Penha

Há ainda um terceiro ponto que ajuda a compor esse cenário de alerta e que passa longe de ser detalhe: a Patrulha Maria da Penha. Um requerimento apresentado ainda em janeiro pelo vereador Coronel Welyngton, cobra explicações do 5º Comando Regional da Polícia Militar pela não implantação do serviço em Marechal Cândido Rondon, apesar de reuniões, deliberações formais, capacitação de policiais e envolvimento de entidades da sociedade civil.

Ou seja, não faltou debate, não faltou preparo, não faltou mobilização. Faltou decisão. Quando se somam a indefinição da Patrulha Maria da Penha, o risco de esvaziamento da PRE e agora a confirmação da saída administrativa do BPFron, o recado que se desenha é claro: Marechal segue perdendo espaço na estrutura de segurança pública.

Coincidência ou consequência?

Tudo isso acontece depois que Marechal Cândido Rondon decidiu dizer “não” à doação de área para a construção de um novo presídio estadual. A decisão foi política, legítima, aprovada em definitivo pela Câmara.

Mas a pergunta que começa a ecoar nos bastidores é outra: qual o custo real desse “não”?

Presídio não veio.
Agora, o BPFron começa a sair.
A PRE se esvazia.

O que vemos agora parece ser claramente a fatura chegando. A falta de visão estratégica e a resistência em receber investimentos na área penal podem ter esfriado o prestígio político da cidade junto ao Palácio Iguaçu. Quando a cidade nega espaço para o Estado gerir o sistema, o Estado parece perder o interesse em manter suas joias da coroa em nosso solo.

Ninguém afirma retaliação. Ninguém admite relação direta. Mas, na política, coincidências em excesso costumam ter endereço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *