A Cooperativa Lar, gigante do agronegócio com sede em Medianeira e forte atuação em toda a nossa região Oeste, parece estar prestes a lançar um novo “produto” no mercado. Mas não procure nas gôndolas dos supermercados, nem nos freezers de congelados. A nova aposta do presidente Irineu da Costa Rodrigues não é de comer, é de votar.
Chegou ao conhecimento do Blog, e tem causado certo “alvoroço” (para ser polido) nos bastidores, uma mobilização pessoal do dirigente cooperativista. O objetivo? Uma reunião política agendada para o próximo dia 12 de janeiro (segunda-feira), às 10h, na Associação Recreativa Lar, em Medianeira. A pauta não é safra, nem cotação do dólar, mas sim a “intenção de ter candidato a Deputado Estadual nas eleições de outubro deste ano”.
A convocação e o “pai” da criança
O convite, disparado via WhatsApp e reforçado por contatos pessoais do próprio Irineu e de sua secretaria, tenta dividir a responsabilidade. Diz o texto que o papel da Lar é apenas “ceder as instalações” para um movimento liderado pelo CODEMED (Conselho de Desenvolvimento de Medianeira). Curioso, no entanto, é o empenho pessoal do presidente em contatar os prefeitos e até criar um grupo de WhatsApp para tratar do assunto.
E aí surge o primeiro constrangimento: a grande maioria dos prefeitos já tem compromissos políticos selados para a próxima eleição. Mas, como dizer “não” quando o convite vem de uma das maiores forças econômicas da região?
O desconforto vai além, pelo ruído político que cria e as incertezas que alimenta: quem seria o “ungido”? Haveria pretensão pessoal do dirigente?

A falácia da “região órfã”
O argumento central para essa mobilização é, no mínimo, questionável. Uma mensagem enviada aos prefeitos afirma categoricamente: “a Região não tem Deputado Estadual que a represente, não sendo prioridade nos investimentos públicos”.
Será mesmo? Talvez o presidente da Lar esteja precisando atualizar sua agenda de contatos ou ler mais o Diário Oficial. Dizer que o Oeste não tem representação soa como um desrespeito ou, na melhor das hipóteses, um esquecimento conveniente de nomes como do próprio primeiro secretário da Assembleia Legislativa, Gugu Bueno (PSD), e dos também oestinos Batatinha (MDB), Marcio Pacheco (PP) e Matheus Vermelho (PP). Isso sem contar Hussein Bakri (PSD), líder do governo Ratinho Junior, que embora não resida aqui, é o representante oficial de inúmeros municípios da região.
Dizer que a região “não é prioridade” nos investimentos públicos é uma tese que briga com a realidade das obras e repasses estaduais recentes. A não ser, claro, que a “prioridade” que se busca seja outra.
O fantasma de 2022: memória curta ou ousadia?
O que mais preocupa, todavia, não é a articulação política em si, afinal todo cidadão tem esse direito. A preocupação está na instituição que serve de palco. A Cooperativa Lar ainda deve estar sentindo o gosto amargo da eleição de 2022, quando também se meteu na política.
Na oportunidade a cooperativa acabou condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região por assédio eleitoral, após ações que tentaram influenciar o voto de funcionários nas eleições presidenciais. Resultado: indenização de R$ 500 mil e um desgaste institucional que ainda ecoa.
A decisão foi clara ao apontar abuso de poder econômico e uso indevido da estrutura da cooperativa para fins políticos. Um precedente que deveria, no mínimo, acender luz amarela.
Agora, em pleno início de 2026, com a tinta da sentença ainda fresca, a Lar parece disposta a entrar em outra “enrascada” política. Ao misturar CNPJ com CPF na busca por um “ungido” para a Assembleia Legislativa, a cooperativa caminha novamente sobre o fio da navalha.
Resta saber: esse é um anseio da cooperativa e de seus milhares de associados, ou um projeto de poder pessoal que usa a estrutura da cooperativa como alavanca? Os prefeitos da região, escaldados, já estão com a pulga atrás da orelha. E com razão.

Parabéns a esse excelente líder
Ele sendo empresário não pode pedir voto? Querer que um deputado seja representante dos seus ideias, ideologias, crenças (o que seja o seu motivo). Mas professor, reitor, servidor público e jornalista pode?
Dois pesos, duas medidas?