A decisão da Justiça Eleitoral, que anulou os votos da Federação Brasil da Esperança e provocou a retotalização das cadeiras, tirou Fernando Nègre (PT) do plenário da Câmara de Marechal Cândido Rondon, mas não do radar político. Até porque a própria sentença lhe deu uma espécie de atestado de idoneidade ao reconhecer que ele não teve envolvimento na fraude à cota de gênero e preservando seus direitos políticos.

No mesmo dia que houve a retotalização dos votos para vereador, Nègre foi anunciado como coordenador regional do mandato do deputado federal Elton Welter (PT), em nota de apoio ao ex-vereador compartilhada com a imprensa.

Um passo atrás, dois para o lado

A avaliação nos bastidores é simples: longe da Câmara, ele ganha ainda mais liberdade para circular, articular e bater direto nas portas de Brasília, algo que, segundo aliados, sempre foi seu ponto forte.

Welter deixou isso claro na nota pública em que classificou a cassação como injusta e anunciou oficialmente o novo papel de Nègre. Não é prêmio de consolação. É reposicionamento estratégico.

Como coordenador regional, Fernando passa a cuidar da articulação política do mandato do deputado na região Oeste, função que inclui diálogo com lideranças, acompanhamento de demandas municipais e costura de projetos. Em bom português: um bom cargo para quem pretende ser candidato a deputado estadual na eleição de outubro.

Fontes próximas ao deputado afirmam que a escolha não é simbólica. Welter aposta na capilaridade política de Nègre e no capital eleitoral construído nos últimos anos. Mesmo com apenas 13 meses de mandato, o ex-vereador acumulou protagonismo e, claro, desafetos.

A Justiça ainda não deu a última palavra

Apesar do novo cargo, a estratégia jurídica segue viva. A defesa de Fernando Nègre prepara recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Internamente, ninguém fala em prazo, mas todos sabem que lá em Brasília o processo não vai andar tão rápido como foi no TRE-PR.

Ou seja, o atual capítulo não fecha o livro. Apenas muda o cenário.

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