Na política, poucas imagens são tão desastrosas quanto a de um parlamentar que mais parece marionete.
E é justamente essa impressão que o vereador Juliano Oliveira (PP) tem deixado: eleito na base de Adriano Backes, mas operando sob o fio nem tão invisível do irmão, Dorival de Oliveira Júnior, o Doriva.
Oposição seletiva
Juliano foi eleito para apoiar o governo, mas parece que resolveu mudar o roteiro. Votou contra a base no caso da punição da vereadora Tania Maion e, nesta semana, usou a tribuna da Câmara para atacar o secretário de Agricultura, Marciel Escher, homem de confiança do prefeito.
O problema não está na crítica em si. A crítica sempre é legítima no jogo democrático. O problema está no tom ensaiado, no “timing” preciso, com cara de texto decorado nos bastidores.
O sonho frustrado de Doriva
Eis o pano de fundo: Doriva queria ser secretário municipal, de preferência da Educação. Não vingou. Foi compensado com a chefia da Ciretran, apadrinhada pelo deputado Hussein Bakri, claro que com o aval do prefeito Backes.
Resultado: ressentimento no ar e uma atuação de Juliano que parece cada vez mais roteirizada pelo irmão.
Cena constrangedora na Acimacar
A prova mais clara do desconforto veio ontem (28) no evento com Hussein Bakri, Alexandre Curi e Sandro Alex, na Acimacar. Doriva e Juliano chegaram cedo, sentaram na primeira fila, cochicharam o tempo todo, evitaram qualquer contato com lideranças e saíram apressados, sem cumprimentos ou sorrisos.

Um olhar atravessado ainda sobrou para este jornalista, quando Doriva disparou: “Viu? Não caiu”. Referia-se à frase que publiquei aqui no Blog na terça-feira: “Enquanto isso o seu irmão e fiel escudeiro, Dorival de Oliveira Junior, o Doriva, segue firme e forte na Chefia da Ciretran. Pelo menos até a próxima edição do Diário Oficial.”
A reação de Doriva só confirma: tocou na ferida.
Bloqueio infantil e ausência estranha
Depois da publicação, ambos os irmãos bloquearam este jornalista no WhatsApp. Juliano já voltou atrás. Doriva continua de mal, num comportamento que beira o infantil.

E os sinais de isolamento não param aí: o prefeito Adriano Backes recebeu esta semana o presidente da Frimesa, Elias Zydek, que recentemente foi homenageado com o título de Cidadão Honorário justamente por iniciativa de Juliano, que é funcionário da Frimesa. Era natural que o vereador estivesse presente. Mas não estava. Nem nas fotos apareceu.
Cordas curtas
Doriva, mesmo sem mandato, segue ditando os movimentos políticos do irmão. Juliano, em vez de buscar protagonismo, deixa-se guiar por mágoas e rancores. O saldo? Uma dupla cada vez mais isolada.
Na política, quem aceita ser marionete corre o risco de ter as cordas cortadas sem que ninguém perceba. E aí, o show acaba antes do aplauso.