Um homem qualquer

A morte de Oscar Niemeyer revelou um fato até então desconhecido da sociedade brasileira. Enquanto seguidamente observamos pessoas buscando homenagens e reconhecimentos pífios, até mesmo pagando altos preços por isso, Niemeyer dispensou uma festa em sua homenagem pelos seus 80 anos, em 1987. A história foi revelada agora, através de uma carta, enviada por Niemeyer ao amigo pessoal José Aparecido de Oliveira, então governador do Distrito Federal.

Na carta, entre outras coisas, o arquiteto diz que levou sua vida como outra pessoa qualquer: “Na verdade, meu amigo, passei pela vida como outro homem qualquer. Nada de excepcional. Os mesmos problemas de trabalho e subsistência, de sonhos, tristezas e fantasias”. No final, ele pede: “Meu desejo hoje é passar meu aniversário em completo anonimato. Data que, a meu ver, não deve entusiasmar ninguém.”

Um sopro de 104 anos

Ele foi o arquiteto de Brasília, mas nunca quis ser assim lembrado. Oscar Niemeyer dizia apenas que queria ser lembrado como um ser humano que passou pela Terra como todos os outros, “que nasceu, viveu, amou, brincou, morreu, pronto, acabou!”, disse em entrevista a BBC.

Um verdadeiro gênio da arquitetura moderna, Niemeyer se inspirava em curvas de rios e corpo feminino. “O mundo é cheio de curvas. Se você tem que vencer um espaço grande, a curva é a solução natural que o concreto armado pede”, justificava suas obras. Continue lendo…