Sai Janot, entra Dodge

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ainda é cedo dizer como será o comportamento da nova Procuradora Geral da República (PGR), Raquel Dodge, que assumiu nesta segunda-feira (18) a principal cadeira do Ministério Público Federal (MPF).

Certo é que ela pega uma batata assando, num momento de alta tensão, em que pela vez primeira um Presidente da República foi denunciado pela PGR, e pior, duas vezes.

Nos bastidores os comentários são de que a tendência é que Dodge tenha uma aproximação maior com o Presidente Temer, que aliás, foi quem a indicou para o cargo. No seu discurso, ela disse que o povo não tolera a corrupção e que o país passa por um momento de depuração.

Ela não mencionou a Lava-Jato no seu discurso de posse. Mas, vai trocar toda a equipe da Lava-Jato na PGR, contrariando o que havia dito anteriormente, quando afirmou que todos estavam convidados a ficar.

Tomara que a mudança fique tão somente à equipe.

Nojo da política

As experiências da vida desenvolvem em nós algumas emoções que afetam diretamente o nosso julgamento moral. Emoções como nojo, medo, raiva. E essas emoções acabam exercendo um efeito poderoso sobre o nosso comportamento.

A emoção do nojo, por exemplo, se desenvolve para nos proteger. Sim. Graças ao nojo que sentimos evitamos a ingestão de alimentos estragados, de substâncias tóxicas. O nojo também nos leva ao afastamento de odores desagradáveis.

Mais recentemente, os brasileiros têm experimentado uma nova correlação dessa emoção: o nojo da política. E cada dia que se passa, a cada nova escalada de manchetes, só aumenta mais a vontade das pessoas de bem se afastarem desse meio podre, fedido e venenoso.

E o que preocupa ainda mais é o tempo que se leva para recuperar gosto por algo que lhe enojou uma vez.

Imigrantes… ontem e hoje

ImigrantesÉ entristecedor ver nas redes sociais manifestações de pessoas contra o fato do governo brasileiro colocar cerca de 400 imigrantes da Síria no programa Bolsa Família. Manifestações de gente ligada a comunidades religiosas, a entidades filantrópicas, pessoas que se consideram de “bom coração” e que acabam colocando a política à frente do sofrimento semelhante ao qual passaram seus próprios antepassados.

Importante enfatizar que discriminar pessoas não é e nunca foi um direito de quem quer que seja. E isso não se aplica apenas às mulheres, aos negros, aos homossexuais… Isso se aplica também aos estrangeiros, principalmente aos refugiados de regimes de opressão. Alguém que discrimina pessoas por status social, religião, cor da pele, opção sexual, opção política ou qualquer outra manifestação, pra mim é intolerante e estúpido.

Voltemos aos imigrantes.

O que mais assusta no discurso daqueles que discriminam os imigrantes e se manifestam contra a concessão de benefícios a estes é a desconexão com o seu próprio passado recente, ou melhor, dos seus pais, avós, bisavós, tataravós ou talvez um pouco mais longe.

São portugueses, alemães, italianos, russos, japoneses, poloneses, libaneses, entre tantos outros que conseguiram abrigo nesta terra, escapando das guerras e da fome na Europa e na Ásia. E foram bem acolhidos pelo governo imperial ou republicado, que lhes garantiu o asilo e até terra e bens para reiniciar a vida no Brasil. Muito, mas muito além de uma simples Bolsa Família.

É uma desconexão muito grande para com as migrações de haitianos, africanos, asiáticos e agora especificamente dos sírios. Algo que impressiona não apenas pelo desconhecimento histórico, mas pela simples falta de reflexão, espírito humanitário e de coerência, principalmente para quem prega os preceitos cristãos.

Esse povo não sai do seu país simplesmente por que quer, para se aventurar no Brasil ou em qualquer outra terra. Assim como aconteceu com nossos antepassados recentes, eles fogem da guerra, da fome, buscam uma ponta de esperança para criar seus filhos num lugar mais tranquilo.

Os alemães, italianos, polonenses, japoneses que vieram para o Brasil, alguns há menos de 100 anos, fugiram dos seus países por razões bem semelhantes aos haitianos e sírios de agora. E eles também sofreram discriminação em função de suas culturas e formas de viver, que eram diferentes. Eu mesmo, descendente de quinta geração de imigrantes alemães, falei “erado” por muito tempo e ainda hoje sofro na língua e nos hábitos a influência da cultura trazida pelos meus antepassados, que vieram para o Brasil há quase 200 anos.

Mas, isso foi num período rudimentar, de pouca informação. Hoje, na era das redes sociais e da comunicação instantânea, as pessoas estão, ou deveriam estar, mais aculturadas e ter pouco mais de bom senso.

As migrações sempre fizeram parte da humanidade. Não há nada de novo nisso. Graças aos meios de transporte que temos hoje, isso acontece agora de forma muito mais dinâmica. Por isso não podemos nos surpreender com esse movimento migratório.

E, voltando novamente à questão da Bolsa Família, é bom lembrar que a legislação brasileira prevê a igualdade de direitos, incluindo os imigrantes. Isto está na Constituição e até nas políticas públicas em curso em muitos municípios, sem contar o que falam os Tratados Internacionais sobre a igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

As mídias sociais e a próxima eleição

social-media-objetivosEm 2016 novamente teremos eleições municipais. Aquela eleição que é pertinho da gente, quando conhecemos pessoalmente vários dos candidatos.

Tenho certeza que será uma campanha muito diferente de todas que vimos até agora. Será a primeira em que as mídias sociais realmente terão uma forte influência sobre o eleitor. E me arrisco a afirmar, muito mais forte que as mídias tradicionais.

Na última eleição municipal, em 2012, já houve a utilização de algumas redes sociais, como o Facebook, YouTube e o Twitter. Antes disso teve quem arriscou um pouco no já extinto Orkut. Mas, a interferência destas ferramentas na divulgação da campanha ainda era precária.

Mas, em 2016 será diferente. Elas vão interferir de forma veemente nas eleições. E isso não vai acontecer necessariamente no Facebook.

A proliferação dos smartphones e o crescimento e busca pelos aplicativos e serviços de mensagem instantânea, como o Whatsapp, o Snapchat, e o Telegram, vão fazer esta diferença. As verdades e as inverdades vão se espalhar de forma viral que será muito difícil o controle e a reação.

Mas, será que candidatos e equipes de campanha estão preparados para enfrentar isto? Enfrentar o desafio das mídias sociais?

É ilusão pensar que ter um perfil em uma rede social é uma ação de marketing digital. É preciso entender como funciona a dinâmica da comunidade e a linguagem específica de cada um destes canais antes de promover qualquer ação.

Também é errado imaginar que marketing eleitoral nas mídias sociais é simplesmente jogar para o formato digital peças criadas para o marketing convencional. Com certeza, este não é o caminho.

O marketing político digital na próxima campanha vai exigir participação ativa do próprio candidato e de toda sua equipe, mesmo aqueles que relutam em aceitar as mídias sociais como uma poderosíssima ferramenta de divulgação. Vai exigir também uma equipe técnica com conhecimento sobre a linguagem de cada um destes canais e o seu funcionamento.

Quem souber desenvolver uma ação de marketing digital de forma planejada e bem sincronizada com as demais ações de campanha, poderá trilhar o caminho do sucesso nas urnas.

Vereadores pedem a cabeça do padre

padreVereadores de Mauá da Serra, cidade do Norte Pioneiro, não gostaram nem um pouco de uma manifestação do padre da cidade durante uma missa. O padre Aparecido Porto de Jesus (foto) sugeriu que seria bom se todas as câmaras seguissem o exemplo da cidade de Santo Antônio da Platina, também do Norte, que baixou os salários de prefeito e de vereadores após pressão popular.

Ocorre que a esposa de um dos vereadores de Mauá estava na missa e levou a fala do padre ao conhecimento do marido. Aí começou o bafafá. Uma audiência com o bispo foi marcada e certamente os vereadores vão pedir a cabeça do padre, ou melhor, a sua transferência.

Quem é o “filho da puta”?

O senador que já foi Presidente da República, Fernando Collor de Melo, mostrou um pouco do seu “decoro” parlamentar ontem durante um pronunciamento da tribuna do Senado.

Com a falta de educação que lhe é peculiar desde os tempos da Presidência, Collor xingou o procurador geral da República, Rodrigo Janot, de “filho da puta”.

No seu pronunciamento, o senador que é um dos investigados na Lava-Jato reclamava de um despacho do procurador, negando-lhe a devolução dos carros de luxo (Lamborghini, Ferrari, Bentley e Land Rover) que foram apreendidos na sua casa no mês passado

No discurso, o senador alagoano disse que nada mais lógico e justo que bens de sua propriedade “adquiridos de forma lícita” lhe sejam devolvidos.

Veja o vídeo com trecho do pronunciamento.

Pior que o Collor

dilmaÉ… a coisa não tá fácil pra ninguém. Até pra Dilma piorou.

Pesquisa do Datafolha indica que a Presidente está com 71% de reprovação, índice que supera a situação de Collor no auge de sua crise, em 1992. Naquele ano, às vésperas do processo de impeachment, Collor alcançou a marca de 68% de reprovação.

O levantamento das informações foi feito essa semana. Na pesquisa anterior a reprovação de Dilma era de 65%.