Nos últimos tempos vejo crescendo uma corrente a favor da liberação do porte de armas de fogo para civis no Brasil.

Muita gente acredita que essa medida vai diminuir a violência porque causará medo nos criminosos e permitirá ao cidadão a chance de defesa, reagindo à tentativa de assalto ou outro crime.

Mas, sinceramente, é difícil acreditar que alguém que foi criado no crime vá sentir temor e só pelo aumento do risco na atividade criminosa vá abandonar essa vida para buscar um trabalho honesto. Você acredita?

Outro aspecto. Será que quando a vítima for abordada pelo marginal, terá tempo de buscar seu revólver? Normalmente os marginais agem de surpresa, dificultando qualquer tipo de reação. A não ser que andemos com as armas no coldre, assim como era no velho oeste. E mesmo assim, será que vai dar tempo de sacar o revólver?

Mais um detalhe. A polícia sempre orienta que as pessoas procurem não reagir a assaltos e outros crimes. Será que essa orientação é feita à toa? Acho que não. Mais de 75% dos crimes de latrocínio (assalto seguido de morte) ocorrem em função da reação da vítima. E esse número não salva nem policiais, que podem andar armados quando estão de folga. Um policial à paisana corre 125 vezes mais risco de morte em assaltos do que cidadãos comuns.

Até aqui abordei somente de situações envolvendo bandidos. Mas, quantas pessoas de bem estarão se envolvendo em crimes contra a vida se o porte de arma estiver liberado para todos?
Quantas discussões fúteis do dia a dia poderão acabar em morte? Uma briga de trânsito, ciúme de casais, um esbarrão sem querer numa festa, uma discussão entre vizinhos, uma briga doméstica e assim por diante.

E ainda tem os casos de acidentes com armas. Eles já acontecem hoje, porém em menor número, normalmente atingindo famílias de policiais. Mas, como será com uma arma em cada casa? Quando o pai esquecer o trabuco no sofá, no porta-luvas do carro, na cabeceira da cama.

O que eu posso concluir diante de tudo isso, é que, caso as pessoas comecem a andar armadas elas correrão um risco gigantescamente maior de se tornarem vítimas fatais ou serem gravemente feridas.